Logo Jornal Razão
Publicidade

Terceira via durou pouco: partido de Cury vai dividir federação com o PDT, aliado de Lula

A Executiva Nacional do PDT aprovou nesta sexta-feira (6) a entrada na federação com Solidariedade, PRD e Avante, mas a soma dos votos para escapar da cláusula de barreira ainda depende do TSE

2º turnoApuração do 2º turno, domingo às 17hFlávio × Lula voto a voto, no Brasil, em SC, nas 5.570 cidades e no exteriorAcompanhar →
Terceira via durou pouco: partido de Cury vai dividir federação com o PDT, aliado de Lula
Foto: Reprodução
Publicidade

A Executiva Nacional do PDT aprovou nesta sexta-feira (6) a entrada do partido na federação formada por Solidariedade, PRD e Avante, o partido que lançou Augusto Cury à Presidência. A união é a saída das quatro siglas para não perder o Fundo Partidário e o tempo de propaganda no rádio e na TV a partir de 2027, depois de nenhuma delas passar da cláusula de barreira na eleição de outubro.

Na mesma reunião, feita de forma híbrida, a Executiva deu sinal favorável à entrada do PSB. A decisão ainda precisa ser referendada pelo Diretório Nacional do PDT. Depois disso, os partidos levam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido para ampliar a federação, que deve ganhar nome e estatuto novos, segundo o PDT.

Publicidade

“A federação potencializará os partidos, incluindo nossos deputados e senadores, na defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro”, afirmou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em nota. Sobre o PSB, Lupi disse que as conversas continuam: “Prosseguiremos com as discussões para agregar o PSB. São partidos que comungam de valores semelhantes e podem caminhar juntos nos próximos anos”.

As quatro siglas somam 18 deputados federais eleitos em outubro: 6 do PDT, 5 do PRD, 5 do Avante e 2 do Solidariedade. Com os 15 do PSB, a bancada chegaria a 33. O PDT também elegeu um senador. Há quatro anos, o partido tinha feito 17 deputados. Esta é a primeira vez que fica abaixo da cláusula, em vigor desde 2018.

Neste ano, para passar da cláusula, cada partido ou federação precisava de 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com pelo menos 1,5% em nove estados, ou eleger 13 deputados federais espalhados por nove estados. Só 16 dos 30 partidos registrados no país cumpriram a regra. PDT, Avante e a federação de PRD e Solidariedade ficaram de fora.

O PSB passou da cláusula e, por isso, negocia sem a mesma pressa. O Diretório Nacional do PSB se reúne na quinta-feira (12), às 14h, em Brasília, para discutir a formação de federações, em convocação do presidente nacional do partido, João Campos.

Publicidade

A soma dos votos depois da eleição

O caminho começou em 20 de outubro, quando o Avante pediu ao TSE para entrar na federação de PRD e Solidariedade. No dia 29, a Procuradoria-Geral Eleitoral deu parecer a favor de somar os votos. Para a procuradoria, ter disputado a eleição separado impede o Avante de somar votos para o quociente eleitoral, mas não para a cláusula de desempenho.

A procuradoria lembrou a decisão de 27 de outubro, quando o TSE arredondou de 1,4913% para 1,5% a votação da federação Psol/Rede no Espírito Santo. Com isso, os dois partidos passaram da cláusula por 186 votos. Os partidos da nova federação pedem ao TSE uma decisão provisória antes de 1º de janeiro de 2027, para que a nova composição valha antes da próxima legislatura.

A tese não é pacífica. O professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que partido e federação que disputaram a eleição separados e não passaram da cláusula perdem o acesso ao Fundo Partidário. Para ele, a união teria de ser fechada durante o processo eleitoral, a tempo de ser homologada pela Justiça Eleitoral.

E o Cury?

O Avante apostou no psiquiatra e escritor Augusto Cury para ganhar cara nova. Cury chegou a 11% numa pesquisa Nexus encomendada pelo BTG Pactual no fim de agosto. Nas urnas, terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com 3.448.569 votos, cerca de 2,89% dos válidos.

Publicidade

Na noite de 4 de outubro, Cury disse que ficaria em silêncio no segundo turno e que ia deixar a política. Quatro dias depois, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Agora, o partido dele vai dividir a federação com o PDT, que apoiou a reeleição de Lula e comanda o Ministério da Previdência.

Antes de bater na porta de PRD e Solidariedade, o Avante chegou a conversar com o próprio PDT, segundo apurou o jornalista Simon Nascimento, do jornal O Tempo. As conversas não avançaram por causa do posicionamento “mais ideológico” dos pedetistas, de acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal. Agora, os dois vão dividir a mesma federação.

Se Cury cumprir o que disse na noite do primeiro turno e deixar a política, sobra ao Avante o que as urnas deram: cinco deputados federais, três deles da Bahia, e um lugar na mesma federação de um aliado de Lula.

O que muda em SC

Em Santa Catarina, a federação mexe com a eleição municipal de 2028. A federação precisa funcionar como um partido só por pelo menos quatro anos. Por isso, PDT, Avante, Solidariedade e PRD terão de montar chapa juntos nas cidades catarinenses.

Publicidade

Nenhum dos quatro partidos elegeu deputado federal por SC em outubro. Na Assembleia Legislativa (Alesc), o PDT reelegeu Rodrigo Minotto, o único deputado estadual eleito pelas quatro siglas no estado.

Os próximos passos são o referendo do Diretório Nacional do PDT, a reunião do PSB na quinta-feira (12) e a decisão do TSE sobre a soma dos votos. Sem o aval do tribunal, as quatro siglas ficam sem Fundo Partidário e sem tempo de propaganda no rádio e na TV a partir de 2027.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/pdt-federacao-avante-cury

Publicidade
Publicidade
Publicidade