Um manifestante levou a um ato pela reeleição do presidente Lula (PT), nesta terça-feira (13), em Florianópolis, um cartaz com o rosto do ativista americano Charlie Kirk colado sobre uma foto da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). Kirk foi assassinado com um tiro no pescoço em setembro de 2025, nos Estados Unidos.
O cartaz, de papelão, tem adesivos redondos com a inscrição “Vote 13 Lula” e duas fotos impressas. Na montagem, o corpo é o de Júlia ao microfone, de blusa azul, cabelo loiro e a tiara de flores que ela usa desde a campanha. O rosto da deputada foi trocado pelo de Kirk. Abaixo da imagem, o cartaz traz escrito à mão “não representa SC”.
As imagens foram enviadas ao Jornal Razão pela deputada. No momento em que o cartaz aparece, uma pessoa discursa ao microfone: “A gente não pode ter dúvida que a gente tá do lado certo da história, do lado certo da política pública, do lado certo de quem tá lutando”.
O ato começou às 17h, em frente à Catedral Metropolitana, e foi organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), pela União Catarinense das e dos Estudantes (UCE) e por representantes do PT catarinense, segundo o ND+.
Coro contra a deputada
No mesmo ato, manifestantes xingaram a deputada em coro. Em outro vídeo, de 31 segundos, a multidão canta “Ê, Zanatta, vai tomar no c*” pelo menos sete vezes seguidas. Logo depois, quem conduzia o ato ao microfone chama um deputado para falar.
Quem foi Charlie Kirk
Charlie Kirk tinha 31 anos, era fundador da organização conservadora Turning Point USA e aliado do presidente Donald Trump. Em 10 de setembro de 2025, ele falava a estudantes num evento ao ar livre na Universidade Utah Valley quando foi atingido no pescoço por um tiro de rifle, disparado do telhado de um prédio do campus. Kirk deixou a esposa, Erika, e dois filhos pequenos.
O acusado, Tyler Robinson, responde por homicídio qualificado. Em 1º de setembro deste ano, a Justiça de Utah decidiu que ele vai a julgamento, e a promotoria pede a pena de morte, segundo a CNN.
Colar o rosto de Kirk em fotos de outras pessoas virou piada nas redes sociais poucos dias depois do assassinato. No Brasil, a morte também foi comemorada. O historiador Eduardo Bueno, o Peninha, ironizou o crime em vídeo e teve eventos cancelados, como registrou a Jovem Pan. Um neurocirurgião brasileiro escreveu sobre o atirador: “Um salve a este companheiro de mira impecável”. O governo americano mandou revogar o visto dele, segundo a CNN Brasil.
Ameaça de morte com prazo de 30 dias
Júlia Zanatta relatou ao Jornal Razão que as ameaças contra ela aumentaram nos últimos dias. Uma das mensagens chegou pelo WhatsApp na quarta-feira (7), de um número com código dos Estados Unidos.
“Estamos abertamente JURANDO a sua pessoa de morte! Exilio ou Morte, o Brasil não é da sua laia!!! VC tem 30 dias pra fazer sua escolha!”, diz o texto. A mensagem chama de “demonstração nazista” o relho com que a deputada comemorou a reeleição.
Do relho ao boneco
Júlia foi reeleita em 4 de outubro com 560.223 votos, a maior votação de um deputado federal na história de Santa Catarina. Ela comemorou com um relho, como o chicote de couro trançado é chamado no estado, em referência à expressão “ganhou de relho”, usada para vitória com folga.
No dia 7, em encontro com jovens parlamentares, Lula ironizou, sem citar o nome dela: “Tem uma em Santa Catarina que anda com chicote na mão e foi muito votada”. A deputada respondeu em vídeo.
No domingo (11), em Goiânia, apoiadores do presidente chicotearam um boneco com o rosto de Júlia, pendurado debaixo de uma placa com a frase “Sinhá Zanatta no tronco”. Na segunda-feira (12), ela informou que encaminhou o caso a advogados.
Apoiador de Flávio Bolsonaro esfaqueado em Itapema
Na segunda-feira (12), em Itapema, um apoiador de Flávio Bolsonaro foi espancado e esfaqueado em Meia Praia depois de uma discussão por política. O grupo dele tinha colocado para tocar uma música de campanha do candidato em um bar. Segundo a esposa, pessoas de outra família, que disseram ter posição política ligada ao PT, foram tirar satisfação com o marido.
A agressão aconteceu na rua, e o homem levou cerca de três facadas no abdômen. A esposa relatou à polícia que ouviu de uma mulher do grupo: “Pronto, acabamos com esse bolsonarista”. A Polícia Militar registrou o caso como tentativa de homicídio. A vítima segue na UTI, e a polícia procura os agressores.
Até a publicação desta reportagem, o PT e o presidente Lula não tinham se manifestado sobre o boneco, o coro ou o cartaz.
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