Um cartaz exibido em ato de apoio ao presidente Lula (PT) no Centro de Florianópolis mostra a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) ensanguentada, com um martelo e X vermelhos sobre os olhos. Junto da foto dela está escrito: “Capacete de nazista é prego e martelada”.
Na outra metade, o cartaz traz um estêncil de Adolf Hitler com uma arma encostada na cabeça e um jato vermelho saindo do outro lado. Embaixo, escrito à mão, vem o recado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula no domingo (25): “Flávio, siga seu líder”. Hitler se matou com um tiro em 30 de abril de 1945, em Berlim.
A imagem foi publicada nas redes sociais na noite de quarta-feira (21). O cartaz aparece erguido no meio da multidão, cercado de bandeiras vermelhas e com o nome de Lula. Não se sabe quem fez nem quem carregava o cartaz.
Na mesma noite, apoiadores de Lula fizeram uma caminhada a partir do Largo da Catedral, no Centro da Capital, com a presença dos deputados estaduais Fabiano da Luz, Luciane Carminatti e Jean Volpato, do PT. “Isso aqui não é uma onda, é um mar vermelho que está tomando conta do Brasil inteiro”, disse Fabiano da Luz durante o ato, segundo o portal ND+.
Quarto ataque em menos de duas semanas
Júlia Zanatta foi a deputada federal mais votada da história de Santa Catarina. Em menos de duas semanas, é a quarta vez que ela aparece como alvo de violência em atos de apoio a Lula. Em Goiânia, apoiadores do presidente chicotearam um boneco dela pendurado num poste com a placa “Sinhá Zanatta no tronco”.
Em Florianópolis, em 13 de outubro, uma manifestante exibiu na frente da Catedral um cartaz com o rosto do ativista americano Charlie Kirk, assassinado em 2025, sobre a foto da deputada. Depois, um boneco de Júlia foi queimado aos gritos de “fogo nos fascistas”. A deputada também contou ter recebido no WhatsApp uma ameaça de morte que dava a ela 30 dias para deixar o país.
O que o PT dizia em 2023
Em março de 2023, Júlia publicou uma foto segurando uma arma e vestindo uma camiseta com a imagem de uma mão de quatro dedos baleada, em referência a Lula. Os líderes do PT na Câmara pediram ao STF que investigasse a deputada, e a então presidente do partido, Gleisi Hoffmann, chamou a publicação de “comportamento nazista” e de apologia à violência contra o presidente.
O Código Eleitoral prevê pena de 1 a 4 anos de prisão para quem assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar uma mulher que exerce mandato eletivo (artigo 326-B, incluído pela Lei 14.192/2021).
Fonte: portal ND+.
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