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Vorcaro reclama de um ano preso com a família “dilacerada” e delegada rebate: “Não é só a família do senhor”

Em vídeo do depoimento enviado pela PF ao STF, fundador do Banco Master diz estar “disposto a falar tudo”, nega fraude com o BRB e pede: “Me solta primeiro”

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Vorcaro reclama de um ano preso com a família “dilacerada” e delegada rebate: “Não é só a família do senhor”
Foto: Reprodução
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O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, reclamou de estar “um ano preso” e disse ter a “família dilacerada” em depoimento à Polícia Federal (PF). A delegada que conduzia o interrogatório, Janaína Palazzo, rebateu na hora: “Não é só a família do senhor que sofre os impactos desse negócio”.

O depoimento foi prestado em 15 de outubro. A PF enviou a gravação, de cerca de duas horas e meia, ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última quinta-feira (29), quando o vídeo se tornou público. Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, quando foi detido numa nova fase da Operação Compliance Zero.

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“Eu tô pedindo o mínimo de consideração pra alguém que tá um ano preso”, disse Vorcaro. A delegada observou que ele ainda não tinha completado um ano de prisão e que chegou a ser solto antes de ser preso de novo. “Não fui solto, não, fiquei preso na minha casa. Eu tô um ano preso, com a minha vida devassada, com a minha família dilacerada, por um negócio que não aconteceu”, respondeu o banqueiro.

Em outro trecho, Vorcaro perguntou quem vai ressarcir o tempo que passou preso e disse estar disposto a colaborar: “Eu tô disposto a falar tudo, mas esse caso tem que ser arquivado imediatamente, urgentemente”. Pouco depois, a delegada citou “cinco mil famílias” que estariam “à bancarrota” e lembrou que a família dele não é a única afetada.

Durante todo o depoimento, Vorcaro negou fraude nas operações do Master com o BRB, o banco público do Distrito Federal, e disse que a crise do BRB foi causada pela liquidação do Master. “Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal pra poder entender isso?”, questionou. Ele também pediu que a PF, que chamou de “órgão isento”, não entre “nessa rota política”.

Daniel Vorcaro durante o depoimento à Polícia Federal, em 15 de outubro

A delegada leu uma mensagem em que Vorcaro diz a uma interlocutora, Regiane, “eu preciso dele feliz”, ao tratar de imóveis para Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Vorcaro afirmou que pretendia deixar a presidência do Master e que a proposta era ceder dois imóveis em comodato, um em Brasília e outro em São Paulo, caso Paulo Henrique assumisse a gestão do banco depois da fusão. “Ele nem foi morar nos apartamentos”, disse.

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No fim do depoimento, Vorcaro pediu o arquivamento do inquérito e uma perícia nos ativos. “Arquive esse processo, porque não tem prova nenhuma”, disse. E completou: “Me solta primeiro, pra não ficar esperando mais por isso. Deixa eu esperar em casa”.

Na última quarta-feira (28), a PF indiciou Vorcaro e mais 14 pessoas no caso Master e apontou R$ 12,2 bilhões em créditos sem comprovação no BRB. A defesa do banqueiro também acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para pedir o fim da prisão. Os advogados alegam que ele está preso há quase oito meses sem denúncia formal e pedem a soltura com medidas cautelares.

Leia também: PF indicia Vorcaro e mais 14 no caso Master e aponta R$ 12,2 bilhões em créditos sem comprovação no BRB

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/vorcaro-depoimento-pf-familia-dilacerada-delegada

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