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Sul rejeitou Lula e volta a falar em separação: região mais rica da Iugoslávia fez isso. E o que aconteceu?

Flávio Bolsonaro fez 62,58% no Sul e Bruno Souza (PL) fala em plebiscito. A Eslovênia saiu da Iugoslávia em 1991, mas a Constituição do Brasil trava o caminho

2º turnoApuração do 2º turno, domingo às 17hFlávio × Lula voto a voto, no Brasil, em SC, nas 5.570 cidades e no exteriorAcompanhar →
Sul rejeitou Lula e volta a falar em separação: região mais rica da Iugoslávia fez isso. E o que aconteceu?
Foto: Reprodução
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O Sul votou contra Lula no 2º turno e vai ter o petista na Presidência por mais quatro anos. Flávio Bolsonaro (PL) fez 62,58% dos votos válidos nos três estados da região: 69,42% em Santa Catarina, 62,58% no Paraná e 57,84% no Rio Grande do Sul.

No país, Lula venceu com 51,79%, uma diferença de 4,4 milhões de votos. A vantagem veio do Nordeste, onde ele abriu 13,6 milhões. No Norte, ganhou por 1.079 votos, em mais de 10 milhões. Perdeu no Sudeste, no Centro-Oeste e no Sul. Sem o Nordeste na conta, Flávio teria 9,2 milhões de votos a mais que Lula.

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No dia seguinte ao 2º turno, o deputado estadual eleito Bruno Souza (PL) escreveu que “o Sul merece ser livre” e disse que vai propor um plebiscito para perguntar aos catarinenses se Santa Catarina deve continuar no Brasil. Em Balneário Camboriú, o movimento O Sul é o Meu País fez uma consulta informal e, segundo a organização, teve 314 votos a favor e 27 contra.

O vereador Naifer Neri (Novo) disse na consulta que, de cada R$ 100 que Santa Catarina envia a Brasília, voltam só R$ 14. No Fundo de Participação dos Estados, um dos repasses federais, a conta segue população e renda: pelos coeficientes do TCU para 2025, o Nordeste ficou com 50,1% e o Sul, com 6,17%.

Placa da República da Eslovênia, em junho de 1991

A história tem um paralelo na Europa. A Eslovênia tinha 8% da população da Iugoslávia e fazia 30% das exportações do país. Parte do dinheiro ia para um fundo federal que bancava as repúblicas mais pobres, e os eslovenos reclamavam que mandavam pouco. Em dezembro de 1990, 95% dos votantes apoiaram a independência, em um plebiscito oficial que levou 93% dos eleitores às urnas.

A independência veio em junho de 1991, e o Exército iugoslavo mandou tanques para as ruas. A guerra na Eslovênia durou dez dias e deixou menos de 100 mortos. Hoje, o país está na União Europeia e usa o euro. Na Croácia e na Bósnia, onde havia grandes populações sérvias, o conflito durou anos. As guerras da antiga Iugoslávia mataram mais de 130 mil pessoas.

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O Brasil já passou por isso duas vezes. Em 1824, Pernambuco puxou a Confederação do Equador contra o imperador, e Frei Caneca acabou fuzilado no Recife. Em 1836, os Farrapos proclamaram a República Rio-Grandense, e em 1839 nasceu a República Juliana, em Laguna (SC). A guerra durou dez anos e o Rio Grande voltou para o Império.

Agora, o caminho legal é outro. A Constituição de 1988 define a união dos estados como indissolúvel no artigo 1º, e o artigo 60 proíbe até emenda que tente abolir a Federação. Em 2016, uma consulta do mesmo movimento teve 616 mil votantes e 95% de apoio à separação, sem nenhum valor legal.

Leia também: Após vitória de Lula, Bruno Souza vai propor plebiscito para SC votar se ainda quer continuar no Brasil

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/sul-rejeitou-lula-separacao-regiao-mais-rica-iugoslavia

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