Um homem deixou o carro atravessado na via, em frente a uma base da Polícia Militar, e passou a exigir que os policiais dissessem se uma determinada pessoa estava presa. Diante da negativa, desacatou a equipe e afirmou que queria ser preso para poder matar esse detento com as próprias mãos. Acabou levado à delegacia.
Orientado pelos policiais, ele tirou o veículo do meio da rua e estacionou. Com falas desconexas, voltou a insistir na pergunta sobre o preso. Os policiais explicaram que esse tipo de informação não é repassada, e ele respondeu que a PMSC era obrigada a informar. A partir daí, passou a ofender a equipe.
Em vídeo gravado durante a abordagem, o homem deixa claro o que pretendia. “Matar ele nos socos, o bom é mano a mano, né? Eu quero que me deixe lá dentro com ele”, diz. Em seguida, afirma que queria perguntar ao preso: “onde tu botou o corpo?”.
Pelas falas, o alvo seria o homem condenado pela morte de uma professora aposentada de 58 anos, assassinada em junho de 2011 em Biguaçu, na Grande Florianópolis. O corpo dela nunca foi encontrado, mesmo depois de buscas em áreas de mata da região.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, o autor era o então companheiro da filha da vítima. Ele estrangulou a aposentada, escondeu o corpo e, depois, manteve a filha e o neto dela em cárcere privado por mais de 60 dias, sob ameaças constantes e agressões.
O caso foi a júri em março de 2013. O Tribunal do Júri de Biguaçu condenou o réu a 32 anos e um mês de prisão em regime fechado por homicídio, ocultação de cadáver, extorsão e cárcere privado. Ele não teve o direito de recorrer em liberdade.
Só que o plano de ficar frente a frente com ele atrás das grades não funcionaria. O condenado já não está mais preso: cumpre a pena em regime aberto, fora da cadeia.
Antes disso, passou pela Colônia Penal Agrícola de Palhoça, teve saídas temporárias autorizadas pela Justiça em 2021 e 2023 e descontou dias da pena trabalhando. Até o fim de 2025, a Justiça contabilizava 18 anos, um mês e 17 dias de pena cumprida. Em junho de 2026, ele pediu indulto natalino e teve o pedido negado, porque homicídio qualificado e violência doméstica contra a mulher ficam fora do benefício.
Mais de 15 anos depois do crime, a pergunta que o homem repetiu diante da base segue sem resposta: onde está o corpo da professora.
No vídeo, ele também diz não se importar com a punição que viria. “Depois, se eu matar ele, ficar lá 30 anos, o problema é meu. Eu pago fiança e saio na outra semana já”, afirma. E completa: “A lei é tão suja, tá tão favorável pro bandido”.
O homem foi conduzido à Delegacia de Polícia, onde responde por desacato.
















