Moradores do bairro Rússia, no interior de Biguaçu, na Grande Florianópolis, dizem que vivem trancados em casa por causa de uma nova infestação de moscas. O Jornal Razão esteve na comunidade nesta quarta-feira (4) e ouviu as famílias reunidas no salão da Capela Santa Cruz.
Segundo uma moradora, é a segunda onda de moscas do ano: a primeira foi no inverno, por duas a três semanas, e a atual começou na quinta-feira passada. “Esse domingo a gente tinha a opção ou comer ou senão as moscas vim na nossa boca, porque tava horrível”, contou. Ela diz que a família passa veneno e fecha a casa inteira, mas as moscas acham um jeito de entrar de novo.
Outra moradora cobrou uma resposta do poder público. “O órgão público tem que se interessar, talvez pra melhorar, pra passar alguma coisa, porque a gente não tá mais aguentando”, disse. Segundo ela, a casa fica fechada o dia inteiro, sem uma janela aberta, porque as moscas pousam em tudo e depois na comida.
Seu José contou que, às 5h da manhã de terça-feira (3), as moscas entravam por debaixo da porta, mesmo com a casa fechada. “Nós se cobria por cima da cabeça com lençol, elas ainda achavam um jeito de entrar ali debaixo”, relatou. Ele diz que o problema durou o inverno inteiro.

Salete afirma que a família sofre com as moscas há três anos. “Desse tipo que tá, a gente não consegue viver”, disse. Maria Paulina contou que não dá para servir nada na mesa, no fogão ou na pia, e que passa o dia abanando com toalha e usando spray. Nilza disse que levantou às 5h desta quarta porque não conseguia ficar na cama com tanta mosca voando no quarto.
Vídeos e fotos enviados por moradores mostram armadilhas, pás e bandejas cheias de moscas mortas, além de chão, teto e janelas tomados pelos insetos. Em outro vídeo, uma mulher mostra a janela de um comércio coberta de moscas e diz que os clientes não conseguem tomar café.

Os moradores dizem que o problema atinge vários bairros do interior de Biguaçu, e não o centro. A origem das moscas ainda não foi descoberta. Uma moradora contou que a comunidade chegou a suspeitar das plantações de grama, mas descartou a hipótese porque o cultivo existe há anos na região e as moscas não aparecem todo ano.
Na terça-feira (3), o prefeito Alexandre de Souza fez uma reunião de emergência com a Secretaria de Saúde e as equipes da Vigilância e anunciou fumacê na região de Três Riachos, com a Vigilância no bairro durante a semana. “Se for lá em casa dar uma fumaça era uma boa”, pediu um morador do bairro Rússia. Ao fim da conversa com a reportagem, os moradores perguntaram juntos: “Até quando?”.

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