O Gaeco, do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), cumpriu três mandados de busca e apreensão em Lages, na Serra catarinense, na manhã desta quinta-feira (5). A Operação Desiderium mira um agente político suspeito de obrigar um servidor subordinado a bancar despesas pessoais dele.
Segundo o MPSC, a investigação é conduzida pela 5ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages e apura supostos crimes contra a administração pública cometidos pelo investigado e por pessoas ligadas a ele. O nome e o cargo do agente político não foram divulgados, porque o processo corre sob sigilo judicial. O MPSC não informou nenhuma prisão.
Conforme o Ministério Público, há indícios de que o servidor teria sido constrangido a pagar gastos de interesse particular do chefe e a fazer tarefas que não tinham relação com o cargo. A promotoria também apura se o investigado usou a estrutura pública e a posição hierárquica para manter o funcionário sob controle e atender a interesses privados.



Fotos divulgadas pelo MPSC mostram agentes do Gaeco, da Polícia Civil e da Polícia Militar em um dos endereços, conferindo documentos sobre uma mesa. Na mesma manhã, segundo a imprensa de Lages, equipes do Gaeco estiveram na Câmara de Vereadores, no gabinete de um vereador. Até a publicação desta reportagem, o MPSC não havia confirmado se a ida à Câmara faz parte da Desiderium.
O nome da operação vem do latim e quer dizer desejo e ambição. De acordo com o MPSC, a escolha faz referência à suspeita de que interesses particulares passaram na frente do interesse público, com o uso da máquina do Estado para fins privados.
O material apreendido vai para a Polícia Científica, que fará a perícia antes da análise dos investigadores. Segundo o MPSC, as buscas servem para esclarecer como os fatos aconteceram, quem se beneficiou e qual foi o tamanho do prejuízo. Novas informações devem ser divulgadas quando o sigilo dos autos for retirado.
Fotos: MPSC/Divulgação
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