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Com doença na coluna e após um AVC, Edson Neumann ganhou no cão Feijão um parceiro de 173 provas

Edson Neumann encontrou o cachorro durante uma crise de coluna; hoje Feijão reconhece percurso e staff, puxa os corredores e completa a prova ao lado dele

Com doença na coluna e após um AVC, Edson Neumann ganhou no cão Feijão um parceiro de 173 provas
Foto: Reprodução
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Feijão tinha cerca de três meses quando Edson Neumann o encontrou sozinho durante uma caminhada, no fim de dezembro de 2017. O tutor atravessava uma crise forte de coluna e até hoje não sabe se o cachorro tinha sido abandonado ou se estava perdido. Ele divulgou o achado, ninguém apareceu para buscá-lo e o cão ficou. Quase nove anos depois, os dois somam 173 provas de corrida juntos.

“Eu sempre digo que ele foi um presente de Deus”, conta Edson, que convive há muitos anos com uma doença degenerativa na coluna. Nas crises, ele mal consegue se mover. A corrida entrou na vida dele em 2008, também por motivo de saúde: naquele ano, sofreu um AVC. Era fumante e obeso, e decidiu mudar de vida.

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Com o filhote em casa, Edson continuou saindo para tentar correr e se movimentar. Quando voltava, encontrava Feijão deitado no sofá com o tênis dele, que sempre ficava ao alcance. O cachorro não estragava o calçado, só esperava. Edson entendeu que ele queria ir junto e passou a levá-lo.

Feijão começou caminhando, depois passou a correr e aprendeu as regras de quem divide a pista: seguir pela direita para não atrapalhar ninguém e não correr na frente de outro atleta. Também aprendeu a reconhecer os cones do percurso. A primeira prova oficial foi, nas palavras do tutor, um dia muito emocionante, com o cão correndo com cuidado ao lado dele. Desde então, a dupla fez provas de 5, 10 e 21 quilômetros e chegou a percorrer 42 quilômetros juntos.

A mudança de papel veio numa prova em Penha, num ano que Edson já não lembra. Feijão costumava largar ao lado dele, no fundo do pelotão, porque o tutor corria mais devagar. Naquele dia, o cão foi lá para a frente. Edson só ouvia os latidos. Depois, os corredores contaram que Feijão comandou a largada, puxou o grupo por 500 metros a 1 quilômetro e só então se afastou para a direita, onde ficou esperando o tutor.

“Eu sempre digo que ele nasceu para isso”, afirma Edson. O comportamento se repete até hoje. Feijão reconhece o percurso e a equipe da organização, puxa os corredores no início e depois abre espaço para completar a prova com o tutor. Quem não conhece o cão acha que vai acabar passando por cima dele, mas, segundo Edson, “ele sabe certinho o momento da largada”.

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Nas provas, Feijão ganhou fãs. Há corredores que vão à largada para vê-lo e correr um trecho com ele. O cão cumprimenta os atletas, reconhece quem já encontrou em outras corridas e posa para fotos. Foi o próprio público que sugeriu criar um perfil no Instagram para registrar esses momentos, e Edson abriu a página do Feijão, o Cãorredor, onde as fotos feitas nas provas são marcadas e compartilhadas. O cão também participa de ações beneficentes, como campanhas de castração, provas que arrecadam recursos, corridas de combate ao câncer e provas voltadas a ajudar ONGs de proteção animal.

Fora das pistas, a parceria continua. Por causa da coluna, Edson passa cerca de 80% do tempo deitado, e Feijão fica junto. Dorme e acorda com o tutor e o acompanha em tudo. Edson admite ter dependência emocional do cão. “Onde eu estou, o Feijão está”, resume.

Pela idade estimada quando foi encontrado, Feijão deve ter nascido por volta de julho ou agosto de 2017. Edson escolheu o dia 12 de outubro como data de aniversário do cachorro, que chega aos 9 anos daqui a duas semanas.

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