Um fio esquecido no canteiro de obras, um prego torto, uma tampinha trazida pela maré, um brinquedo quebrado na areia. O que muita gente enxerga como lixo, a artista plástica Mônica Turatto enxerga como matéria-prima. Em Itapema, no Litoral Norte catarinense, esse material descartado ganha nova vida nas mãos dela e se transforma em robôs e obras de arte que hoje circulam por escolas de várias cidades da região.
A história começou há 11 anos, quando Mônica deixou São Paulo e chegou a Itapema para trabalhar na construção civil. Foi no dia a dia das obras que ela passou a reparar no volume de resíduos que sobrava: fio, prego, madeira e ferro, um cenário com o qual, segundo ela, não estava acostumada.
Ao mesmo tempo, as caminhadas pela praia mostravam outro problema. Ela encontrava muito lixo descartado de forma irregular, de brinquedos a tampinhas. “Isso me incomodava muito”, contou em entrevista ao Jornal Razão.
Em vez de deixar o material seguir para o lixo, Mônica começou a guardar o que encontrava. “Eu guardei e falei, eu quero criar algo diferente, algo que toque o coração das crianças”, relembra. Foi desenhando e testando ideias que nasceu o primeiro robô.

Da pandemia às salas de aula
O projeto Robôs Adoráveis completa oito anos. No início, a artista produzia as peças e dava os robôs de presente. A pandemia foi, nas palavras dela, um desafio muito grande, mas também o período em que criou várias técnicas diferentes, aproveitando o tempo longo que teve para trabalhar.
Depois vieram as escolas. Professores e secretarias passaram a procurar o projeto, que além de Itapema também chega a outras cidades, como Porto Belo, Camboriú e Bombinhas. Segundo Mônica, a curiosidade sobre como os robôs surgiram é grande, e ela usa esse interesse para o objetivo principal: inspirar as pessoas a separar o próprio lixo.

Do fundo do mar ao bem-estar animal
Com o tempo, o trabalho foi além dos robôs. A proximidade com a praia levou Mônica a criar peças sobre o fundo do mar e a falar com as crianças sobre o que o lixo causa nos oceanos.
A frente mais recente é a de bem-estar animal, que a artista diz guardar no coração. Nas atividades, as crianças aprendem o que são maus-tratos, o que é adoção responsável e como cuidar dos animais. A proposta, segundo ela, é “dar voz para esses animais, que não são só os animais domésticos, são os animais silvestres também, os pássaros, as capivaras”. De acordo com Mônica, a iniciativa tem impactado muitas pessoas de forma positiva, principalmente com as adoções.

Exposição sobre rodas
A próxima etapa muda mais uma vez o endereço do projeto. Os Robôs Adoráveis começaram em um armário secreto, todo feito com material de reuso, depois foram para o ateliê e agora vão para um carro. Dentro do veículo ficará a exposição. Do lado de fora, a ideia é promover jogos com materiais naturais e oficinas, além de outras atividades que a artista ainda prepara e mantém como surpresa.
Todo o conteúdo será oferecido sem custo ao público. “A gente quer levar tudo isso de graça para a comunidade, para as crianças, para a população”, afirma.
Busca por parceiros
Para colocar o carro na rua, Mônica procura apoio de empresas. Ela conta que já tem parceiros que enxergaram o potencial do projeto, mas precisa de mais. “Não é só patrocinar um projeto, é levar educação ambiental e bem-estar animal para as crianças e para a nossa cidade e região”, resume.














