Santa Catarina tem 5.725.753 eleitores aptos a votar no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro de 2026, um crescimento de 4,3% em relação a 2022. Os dados da Justiça Eleitoral mostram que mulheres, pessoas brancas, solteiras, com ensino médio completo e idade entre 40 e 44 anos formam os grupos mais numerosos em cada categoria.
Essas características não representam, necessariamente, o perfil de uma única pessoa. São recortes que apontam as características mais frequentes entre os eleitores catarinenses. As mulheres constituem a maioria absoluta tanto no estado quanto no eleitorado brasileiro.
Na eleição de 2022, Santa Catarina tinha 5.489.658 eleitores. Desde então, o estado recebeu 399.979 pessoas que transferiram o título de outras unidades da federação, contingente equivalente a aproximadamente 7% do eleitorado atual.
Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Pará e Bahia são os principais estados de origem desses eleitores. As transferências acompanham o movimento migratório identificado por pesquisas demográficas nos últimos anos. Outras cerca de 2,4 mil pessoas que votavam no exterior também passaram a ter Santa Catarina como local de votação.
A distribuição por idade mudou entre as duas eleições. O número de eleitores de 16 a 34 anos caiu, enquanto as faixas de 35 a 89 anos registraram crescimento. A maior alta ocorreu entre as pessoas de 70 a 74 anos, com aumento de 40%. Já o grupo de 16 anos teve a maior redução, de 21%.
Nos dois grupos, o voto é facultativo. As mudanças apontam para um possível envelhecimento do eleitorado catarinense.
Entre os eleitores que chegaram de outros estados está a empresária Luize Cavalcante, que deixou Belém, no Pará, e passou a morar em Blumenau em 2017. Proprietária de um restaurante especializado em comida paraense, ela transferiu o título nos primeiros anos após a mudança e incentivou o marido e o filho a fazerem o mesmo.
Luize participa de questões relacionadas ao comércio e ao desenvolvimento do bairro onde mora e trabalha. Para ela, a participação nas eleições é uma ferramenta de avanço social, e a escolha dos candidatos deve considerar a avaliação das propostas.
O cientista político e mestre em Sociologia Política Roberto Wohlke relaciona o crescimento do eleitorado à expansão populacional de Santa Catarina e ao trabalho institucional da Justiça Eleitoral.
Entre os fatores mencionados pelo especialista estão as campanhas do Tribunal Superior Eleitoral para incentivar a transferência do título, o avanço da biometria e o uso da tecnologia. A possibilidade de regularizar o documento pelo celular dispensa, em muitos casos, o comparecimento presencial.
Na avaliação de Wohlke, o perfil atual do eleitorado pode favorecer a consolidação de candidaturas conservadoras. Ele ressalta, porém, que mudanças de postura dos eleitores costumam levar tempo.
O cientista político também identifica maior envolvimento das pessoas com a política e considera que a ampliação do debate e da disputa política contribui para a democracia.
Fonte: Justiça Eleitoral/ NSC















