“Estavam todos no Sagrado, bairro nobre, né, da cidade.” A frase é de Jane, moradora de uma área alagada de Lages, que desabafou de dentro de uma canoa, no meio das casas tomadas pela água. Segundo ela, nenhuma equipe da Defesa Civil apareceu para ajudar as famílias da região desde que a água subiu, na quarta-feira (4).
O vídeo foi publicado no Instagram pelo perfil @ztorrxs, que percorreu de canoa a região do Bracatinga. As imagens mostram casas com as portas pela metade dentro d’água, telhados quase encobertos e quintais inteiros alagados.
“Enquanto nós tava aqui com a ajuda de vizinhos, um ajudando o outro, um puxando uma coisa, puxando outra, entrava na sua casa, corria ajudar o vizinho, não desceu ninguém da Defesa Civil pra ajudar nós, por quê?”, pergunta Jane. Ela conta que ainda não conseguiu entrar em casa para ver o tamanho do prejuízo. “Mas a gente sempre perde.”
Quem gravou o vídeo descreve a situação das famílias que ficaram sem acesso às casas. “Não tem como cê chegar, não tem como cê sair, a água só entra, cê perde tudo que tem dentro, perde sofá, perde roupa, perde televisão, tudo que cê tem investimento, trabalhou a vida inteira”, diz. E resume: “Poder público não vem ninguém aqui.” Segundo ele, a ajuda vem dos próprios vizinhos, que levam de canoa o que falta para quem ficou dentro de casa.
Outro atingido cobra os políticos que aparecem em época de campanha. “Nós só queremos só ajuda, né? Ajuda do pessoal que fala, que vai lá, pede voto e tudo mais”, afirma. Ele lembra das famílias que pagaram “parcelas e parcelas em cima de parcelas” pelo que tinham e perderam tudo da noite para o dia.
Para ele, a Defesa Civil não chegou até as casas. “Só passa ali pela rua, tira foto e fala isso, fala aquilo, não adianta falar, tem que vir fazer acontecer.” O vídeo termina com um recado de quem gravou: “Tem morador em todos os bairros, não é só nos bairros mais nobres.”
Nos comentários da publicação, a cobrança que mais se repete é a mesma: a de que os bairros mais pobres ficam esquecidos.
Lages está em situação de emergência desde quinta-feira (5) por causa das cheias. O Rio Carahá, que corta a cidade, chegou a 6,67 metros naquele dia. O espaço segue aberto para a manifestação da Prefeitura e da Defesa Civil de Lages.
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