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“Todo esforço foi em vão”: cotas tiram o sonho de jovem de SC que queria ser psicólogo

Mãe de Joinville desabafa após filho com nota alta no Enem ficar fora do Prouni.

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“Todo esforço foi em vão”: cotas tiram o sonho de jovem de SC que queria ser psicólogo
Foto: Reprodução
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Todo esforço parecia ter valido a pena. Anos de estudo, trabalho desde cedo, noites mal dormidas e uma nota alta no Enem. Mesmo assim, o sonho de entrar na universidade não se concretizou.

O desabafo é de uma mãe de Joinville, no Norte de Santa Catarina, após o filho de 17 anos não ser contemplado com uma bolsa do Prouni. Segundo ela, o jovem ficou fora das vagas mesmo tendo obtido média superior à de todos os outros candidatos classificados.

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De acordo com os prints do sistema do Prouni, o adolescente alcançou 676,58 pontos no Enem. Ainda assim, ficou na 15ª colocação em um dos cursos, enquanto candidatos com notas abaixo de 630 e 570 pontos apareceram nas primeiras posições. As bolsas ofertadas eram limitadas e, conforme o critério do programa, priorizaram modalidades específicas de concorrência, como cotas.

A mãe relata que o filho sempre estudou em escola pública. No nono ano, conseguiu uma bolsa de 50% em um colégio particular de Joinville e passou a trabalhar para pagar a mensalidade. Atuou como menor aprendiz, auxiliar de pizzaiolo e chegou a entregar panfletos na rua. A bolsa exigia bom desempenho escolar, o que o obrigava a manter notas altas.

No último ano do ensino médio, por dificuldades burocráticas com documentação, o estudante não conseguiu manter a bolsa e retornou à escola pública. Mesmo assim, seguiu focado nos estudos para o Enem. Segundo a mãe, ele dormia em média quatro a cinco horas por noite, conciliando trabalho, escola e preparação para a prova.

O impacto do resultado veio logo cedo. Por volta das 6h, ansioso pela divulgação do Prouni, o jovem acessou o sistema e percebeu que não havia sido pré-selecionado. Foi a primeira vez, segundo a mãe, que ela viu o filho “desabar”.

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“Ele sempre foi forte, batalhador. Mas naquele momento eu vi aquela força sumir”, relata. O sentimento, segundo ela, foi de injustiça. “Ele sentiu que todo o esforço foi em vão. Estudar, trabalhar, se dedicar… pra no final ver pessoas com notas bem menores ficando na frente por causa do sistema de cotas.”

No desabafo, a mãe afirma não ser contra políticas públicas, mas questiona a transparência e a equidade do modelo. “Poderia ser um sistema mais claro e justo”, diz. Ela também destaca a frustração de ver um jovem que deseja atuar na área da saúde ter o sonho adiado.

“O que mais dói é ver um adolescente que quer crescer na vida, que quer ser bom no que faz, ser derrubado por um sistema que não olha para o esforço e a dedicação”, afirma.

Apesar da decepção, a mãe diz acreditar que outras oportunidades vão surgir. “É um sonho adiado, não acabado. Hoje, a única coisa que eu pude fazer foi colocar meu filho no colo e deixar ele chorar tudo o que precisava.”

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O desabafo ocorre em meio à polêmica lei de Santa Catarina que extingue cotas raciais e de gênero nas universidades estaduais. Segundo avaliação interna do governo, sem esses critérios o vestibular da Universidade do Estado de Santa Catarina passaria a ter 50% mais vagas reservadas exclusivamente para alunos pobres. A mudança, conforme o Executivo, mantém apenas critérios socioeconômicos, de origem escolar e para pessoas com deficiência. Atualmente, o sistema de cotas da Udesc reserva 20% das vagas para estudantes de escolas públicas, 10% para candidatos pretos e pardos e 5% para pessoas com deficiência, sendo que parte desta última não exige comprovação de renda.

Em um cenário hipotético de 950 vagas, o governo calcula que apenas 190 vagas do modelo atual atingem diretamente alunos pobres. Com a nova lei, a reserva subiria para 30% das vagas por critério social, o equivalente a 285 vagas, um aumento de 95 oportunidades, ou 50%. Essas vagas incorporariam as antigas cotas raciais, ampliando, segundo o governo, o alcance da política de inclusão baseada em renda. Críticos afirmam que a mudança elimina ações voltadas a grupos historicamente discriminados, e a lei segue suspensa por liminar do TJSC, com impacto ainda indefinido sobre os próximos vestibulares.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/filho-nota-alta-enem-fora-prouni-debate-cotas-sc

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