O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na noite desta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. O Ministério Público paraguaio acusou o político de lesão de confiança e outros crimes no escândalo do Ueno Bank, banco que quebrou e deixou milhares de correntistas cobrando o dinheiro de volta.
A acusação foi apresentada pelos promotores Christian Benítez, Elena Fiore e Silvia González, da Unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção, e Ruth Benítez, da Unidade de Delitos Informáticos. No mesmo pedido, o Ministério Público mandou prender Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai.
O ofício enviado ao comandante da Polícia Nacional, César Silguero, pedia que Peña ficasse detido na própria casa até ser posto à disposição da Unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção. Segundo a imprensa paraguaia, o ex-presidente já está detido em casa e à disposição dos promotores. Para Carvallo, a ordem é que fique onde o comando da polícia determinar.
Senado derrubou Peña por unanimidade
A prisão veio logo depois do julgamento político. Os senadores votaram por unanimidade pela condenação de Peña por mau desempenho das funções, como a Câmara dos Deputados já tinha feito. Antes da sentença, o agora ex-presidente afirmou ter apresentado a renúncia “para evitar mais dano ao país”, mas o Senado seguiu com o processo até o fim.
O vice-presidente Pedro Alliana jurou como presidente da República, o 52º da história do Paraguai. Eleito na mesma chapa de Peña para o mandato de 2023 a 2028, ele vai governar pelo um ano e nove meses que restam.
A defesa de Peña fala em pedir a anulação do julgamento e em recorrer a tribunais internacionais. Nas ruas de Assunção, houve festa depois da destituição.
O escândalo do Ueno Bank
A crise começou com a intervenção no Ueno Bank, do Grupo Vázquez. O dono do grupo, Miguel Vázquez, e outros cinco ex-diretores do banco foram mandados para a prisão. Ao todo, 27 pessoas já foram acusadas no caso, e o Banco Central do Paraguai começou a devolver o dinheiro dos correntistas pelo fundo de garantia.
Peña aparece no caso por causa dos negócios com o grupo. Em 2023, ele declarou ter ações da Ueno Holding no valor de cerca de 6,1 bilhões de guaranis e um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis na antiga Financiera Ueno, hoje Ueno Bank. Em 2024, Francisco Peña Palacios, irmão do ex-presidente, recebeu ações da U Holding SARL, empresa que o Grupo Vázquez registrou em Luxemburgo.
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