Se a regra de transição que o Congresso discute para as eleições de 2030 já valesse, o PT ganharia mais duas cadeiras de deputado federal em Santa Catarina. A federação do partido, formada com PCdoB e PV, elegeu três deputados em outubro e passaria a ter cinco, segundo simulação do Jornal Razão com os votos oficiais da eleição de 2026, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), anunciou na quarta-feira (28) que quer votar ainda este ano uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para mudar a eleição de deputados federais, deputados estaduais e vereadores. A articulação reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania e Podemos, e o PSB também participou das conversas. O plano prevê uma transição em 2030 e o voto distrital misto completo a partir de 2034.
Na transição, ainda sem distritos, metade das vagas de cada estado iria para os candidatos mais votados, e a outra metade para listas dos partidos. Santa Catarina tem 16 deputados federais, então seriam oito de cada lado. A PEC ainda não tem texto, e não está definido como as duas metades seriam somadas.
As oito vagas dos mais votados
Na simulação, cada metade foi contada em separado. Com os votos de outubro, as oito vagas dos mais votados ficariam com Júlia Zanatta (PL), Ana Paula Lima (PT), Pedro Uczai (PT), Jair Renan Bolsonaro (PL), Sargento Lima (PL), Pezenti (MDB), Gilson Marques (Novo) e Giovana Mondardo (PCdoB). Julio Garcia (PSD) ficaria em nono, com 114.391 votos, 401 a menos que Giovana Mondardo.
| Posição | Candidato | Partido | Votos |
|---|---|---|---|
| 1º | Júlia Zanatta | PL | 560.223 |
| 2º | Ana Paula Lima | PT | 201.377 |
| 3º | Pedro Uczai | PT | 164.389 |
| 4º | Jair Renan Bolsonaro | PL | 131.555 |
| 5º | Sargento Lima | PL | 128.333 |
| 6º | Pezenti | MDB | 125.010 |
| 7º | Gilson Marques | Novo | 117.197 |
| 8º | Giovana Mondardo | PCdoB | 114.792 |
| 9º | Julio Garcia | PSD | 114.391 |
As oito vagas das listas
As outras oito vagas seriam divididas pela votação de cada partido ou federação no estado, pelo método das maiores médias: quatro para o PL (1,54 milhão de votos), duas para a federação do PT (692 mil), uma para o MDB (384 mil) e uma para o Republicanos (341 mil). A federação União/PP, o Novo, o PSD e o Podemos não teriam vaga nas listas.
Como as listas seriam montadas pelos partidos, a simulação considerou que cada um seguiria a ordem de votação de outubro. Nesse caso, entrariam Carla Ayres (PT), com 76.477 votos, Vanessa da Rosa (PT), com 33.438, e Valdir Cobalchini (MDB), com 99.751. Sairiam Julio Garcia (PSD), Zé Milton (PP) e Paulinha (Podemos).
A bancada catarinense ficaria com sete deputados do PL, cinco da federação do PT, dois do MDB, um do Novo e um do Republicanos.
| Partido | Eleitos em outubro | Transição de 2030 (simulação) |
|---|---|---|
| PL | 7 | 7 |
| Federação PT (PT, PCdoB e PV) | 3 | 5 |
| MDB | 1 | 2 |
| Novo | 1 | 1 |
| Republicanos | 1 | 1 |
| PSD | 1 | 0 |
| PP | 1 | 0 |
| Podemos | 1 | 0 |
O partido mais votado em cada cidade
Na votação para deputado federal, somados os votos nos candidatos e na legenda, o PL foi o mais votado em 210 das 295 cidades catarinenses. O MDB liderou em 36, a federação do PT em 22, a federação União/PP em 13, o PSD em 5, o Republicanos em 4, o Novo em 3 e o Podemos em 2. Em Florianópolis, a federação do PT teve 89.043 votos, 273 a mais que o PL (88.770).

No Brasil
Com a mesma conta aplicada aos 27 estados, o PT passaria de 70 para 76 deputados federais. Os sete partidos de centro que defendem a mudança perderiam 11 cadeiras juntos, de 245 para 234: União Brasil (de 46 para 47), PP (de 41 para 42), PSD (de 43 para 41), Republicanos (de 41 para 34), MDB (de 36 para 39), PSDB (de 11 para 6) e Podemos (de 27 para 25). O PL seguiria com a maior bancada, com 122 deputados. Nos estados com número ímpar de vagas, a vaga extra foi contada nas listas; se fosse para os mais votados, o PT chegaria a 77.
A outra leitura
Se a regra fizer a lista descontar as vagas já conquistadas pelos mais votados, como prevê o projeto de voto distrital misto aprovado pelo Senado em 2017, a bancada de Santa Catarina seria a mesma eleita em outubro.
Para entrar em vigor, a emenda precisa dos votos de três quintos dos deputados (308) e dos senadores (49), em dois turnos de votação em cada Casa.
Como a simulação foi feita
O Jornal Razão usou os arquivos de votação por candidato e por partido publicados pelo TSE. Antes de simular, a regra atual de distribuição das vagas foi recalculada com os mesmos dados e reproduziu os 513 deputados eleitos. A conta da simulação foi refeita de forma independente para conferência.
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/simulacao-voto-distrital-misto-bancada-sc-2030
























