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“Não sei como ele tá vivo”: sobrinha viraliza ao relatar tortura de criminosos contra benzedeiro de 88 anos em SC

Conforme a Polícia Militar, o idoso acordou rendido por quatro homens encapuzados na Linha São Francisco, interior de Tangará; Fabio Junho Felicetti, Vinicius de Oliveira Dias e Rodrigo do Nascimento Costa foram apontados como autores do crime

“Não sei como ele tá vivo”: sobrinha viraliza ao relatar tortura de criminosos contra benzedeiro de 88 anos em SC
Foto: Reprodução
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A voz embarga, mas não recua: “Sinceramente, eu não sei como é que ele tá vivo.” O desabafo de uma sobrinha, publicado em vídeo nas redes sociais, transformou em comoção estadual o que aconteceu com um benzedeiro de 88 anos na Linha São Francisco, interior de Tangará, no Meio Oeste catarinense. O idoso foi rendido dentro da própria casa, espancado, amarrado, queimado e dado como morto por criminosos que levaram o carro que ele tinha acabado de comprar.

Em menos de 24 horas, o caso teve desfecho policial. Três homens foram apontados como autores do crime: Fabio Junho Felicetti, de 43 anos, natural de Tangará; Vinicius de Oliveira Dias, de 22 anos, natural de Videira; e Rodrigo do Nascimento Costa, de 32 anos, natural de Manaus, no Amazonas. Costa foi preso na própria quarta-feira (12) e recolhido ao Presídio de Videira no dia seguinte. O veículo da vítima, um Chevrolet Tracker, foi recuperado.

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Espancado até ser dado como morto

O ataque aconteceu por volta da meia-noite de quarta-feira (12). O idoso dormia quando acordou já rendido por quatro homens encapuzados, três deles armados com pistolas e o quarto com uma espingarda calibre 12. Os criminosos exigiram dinheiro, mas ele respondeu que não guardava nenhuma quantia em casa.

A negativa foi respondida com brutalidade. Os invasores amarraram os braços e as pernas da vítima, vendaram seus olhos, taparam sua boca e passaram a espancá-la violentamente. As agressões só cessaram quando o grupo acreditou que o idoso estivesse morto. Para tirar a prova, atearam fogo nas roupas dele, apagando as chamas em seguida, e fugiram levando o carro da garagem.

Encontrado na manhã seguinte

O socorro só chegou na manhã seguinte, por acaso. Pai e filho foram até a residência para uma benzedura e encontraram o idoso caído na entrada da casa, pedindo por socorro, com ferimentos pelo corpo e um esparadrapo colado no rosto. Um vizinho chamado para ajudar percebeu que a casa estava toda revirada e que o carro tinha sumido da garagem.

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Quando a Polícia Militar chegou ao local, constatou a porta de entrada arrombada e todos os cômodos revirados. Em um dos quartos, os policiais encontraram uma grande mancha de sangue no chão e quatro munições calibre 12. A Polícia Civil e a Polícia Científica foram acionadas para a perícia e o recolhimento do material.

O Corpo de Bombeiros Militar levou o idoso ao Hospital São Lucas, em Tangará. Pela gravidade dos ferimentos, ele precisou ser transferido para o Hospital Santa Terezinha, em Joaçaba. A equipe médica identificou queimaduras nas pernas e nas costas, hematomas por todo o corpo, lesões na região das costelas, dores na cabeça decorrentes das agressões e suspeita de fratura na região abaixo do olho esquerdo.

O desabafo que viralizou

Foi de Joaçaba que a família decidiu falar. No vídeo que viralizou, a sobrinha da vítima descreve o que os médicos encontraram.

“Quebraram oito costelas, queimaram partes do seu corpo, amarraram e levaram o carrinho dele que ele tinha acabado de comprar”, relata a sobrinha.

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O tio é figura conhecida na região justamente pelo ofício que o levaria a ser encontrado com vida. “Ele faz um trabalho super legal de benzer as pessoas que precisam”, conta a sobrinha, que arrisca uma explicação para a sobrevivência: “Talvez seja Deus cuidando dele depois dele ter benzido tantos de nós aqui na região.”

O choque, segundo ela, vai além da família. “Eu sou do interior, a minha família é do interior, a gente nunca viu uma barbaridade dessas acontecendo aqui, não é comum pra nós. Hoje foi com o irmão do meu pai, amanhã pode ser com alguém da sua família”, desabafa.

No mesmo vídeo, ela agradece o trabalho das forças de segurança e cobra mudanças. “Quero agradecer aqui a Polícia Civil e a Polícia Militar, que não mediram esforços. Em menos de 24 horas os suspeitos foram presos e o carro do meu tio foi recuperado”, diz. A sobrinha defende penas mais duras para crimes violentos e reforço no efetivo policial do Meio Oeste. “A gente não pode deixar que essa barbaridade seja algo normal aqui em Santa Catarina”, afirma.

O idoso permanece internado em Joaçaba, estável e em recuperação, segundo a família. O caso é tratado como tentativa de latrocínio e segue sob investigação da Polícia Civil.

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