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EXCLUSIVO: Homicídio ou legítima defesa? MPSC denuncia companheira por morte de Fábio Tomelin

Imagens mostram os momentos anteriores à morte de Fábio Tomelin. Polícia Civil não indiciou Jaqueline; MPSC sustenta homicídio qualificado e pede júri popular.

Composição de três imagens de câmeras de segurança do caso Fábio Tomelin, em Indaial.
Reprodução / Jornal Razão
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A Polícia Civil analisou as imagens e encerrou a investigação sem indiciar ninguém. Agora, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresenta outra conclusão: denunciou Jaqueline Rapcinski por homicídio qualificado pela morte do companheiro, o empresário Carlo Fábio Tomelin, em Indaial, no Vale do Itajaí.

Imagens de câmeras de segurança mostram os acontecimentos de 31 de maio de 2026. A sequência mostra tentativas de Jaqueline de deixar a residência, os momentos em que Fábio a segura, a saída da caminhonete com ele agarrado do lado de fora e a queda na Rua Minas Gerais. Ele morreu no hospital pouco depois da meia-noite, já em 1º de junho.

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A denúncia foi divulgada pelo MPSC na quarta-feira (23), pouco mais de um mês depois da conclusão policial. Para o delegado, ela agiu para se desvencilhar de uma situação de violência doméstica. Para a Promotoria, realizou manobras bruscas sabendo que o companheiro estava na parte externa do veículo e assumiu o risco de matá-lo. A defesa sustenta que não houve crime.

Os horários a seguir são os exibidos pelas diferentes câmeras. Como os sistemas não têm sincronização comprovada entre si, servem para situar os registros de cada equipamento.

Assista à reportagem com as imagens

Capa da reportagem em vídeo sobre o caso Fábio Tomelin

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Em Blumenau, a câmera mostra o casal caminhando

Segundo a acusação, o casal se desentendeu durante um evento em Blumenau naquela noite. Segundo a Polícia Civil, Fábio teria agredido Jaqueline na rua, antes do retorno para Indaial.

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Essa agressão não aparece nas imagens de Blumenau analisadas na reportagem. Às 21h44, o que a câmera registra é o casal caminhando junto pela calçada. O trecho, portanto, não permite mostrar como teria ocorrido o episódio descrito pela polícia.

Fábio e Jaqueline caminham juntos em uma calçada de Blumenau, conforme o relógio da câmera às 21h44.
Em Blumenau, a câmera registra os dois caminhando juntos às 21h44. O trecho não mostra a agressão apontada pela Polícia Civil. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Ele volta sozinho; ela chega vinte minutos depois

Fábio retorna sozinho para a casa em Indaial. A câmera registra a chegada às 22h46 e, logo depois, ele aparece com duas garrafas nas mãos. Segundo a Polícia Civil, Fábio apresentava embriaguez acentuada.

Fábio aparece na entrada da casa com duas garrafas nas mãos.
Depois de chegar sozinho à residência, Fábio aparece com duas garrafas nas mãos. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Cerca de vinte minutos depois, às 23h06, Jaqueline chega em um carro de aplicativo. Os dois se encontram no pátio e seguem para a garagem, onde ficam estacionados o Jeep Compass dela e a Ford Ranger dele.

A Polícia Civil considerou que Jaqueline deu tapas em Fábio e que ele a impediu de ir embora. Em uma das imagens, o braço dela sobe à altura da cabeça dele. Fábio está de costas e seu corpo encobre o ponto em que haveria contato. A outra câmera da garagem também não permite visualizar esse contato.

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Imagem da garagem com círculo indicando a região em que o braço de Jaqueline se eleva junto a Fábio.
O braço de Jaqueline sobe à altura da cabeça de Fábio, mas o corpo dele encobre o ponto de contato nesse ângulo. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

A tentativa de sair no Compass

Jaqueline entra na casa, sobe correndo, pega uma mochila e desce também correndo. Fábio vai atrás. Ela entra no Compass, e as luzes do veículo se acendem.

Ele para junto à porta do motorista e se debruça para dentro. Segundo a Polícia Civil, Fábio impede a saída de Jaqueline por mais de sete minutos. A sequência mostra que, quando ela se levanta do banco, ele continua junto à porta.

Às 23h15, Fábio abre a porta traseira do Compass e entra. De dentro do carro, estica o braço em direção ao banco do motorista. Depois, os dois deixam o veículo.

Fábio aparece no banco traseiro do Jeep Compass, com a porta aberta.
A sequência mostra Fábio entrando pela porta traseira do Compass e, em seguida, esticando o braço em direção ao banco do motorista. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Ela tenta sair a pé e é alcançada

Na porta da casa, Fábio segura Jaqueline com as duas mãos. Ela se solta e corre com a mochila. Ele a alcança, segura a mochila e a prende contra a parede, com a mão no peito dela.

Fábio segura Jaqueline junto a uma parede no pátio da residência.
Após Jaqueline tentar sair com a mochila, Fábio a alcança e a segura junto à parede. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Jaqueline se solta e corre novamente. Junto ao muro, Fábio a segura pelos ombros e a conduz de volta à garagem. Na quina da caminhonete, a mão dele vai à região do rosto e do pescoço dela; em seguida, ele segura seus pulsos.

Próximo à caminhonete, Fábio mantém a mão na região do rosto e do pescoço de Jaqueline.
Perto da caminhonete, a sequência mostra a mão de Fábio na região do rosto e do pescoço de Jaqueline. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Em outro momento da sequência, Fábio mantém a mão na cabeça de Jaqueline e segura um celular na outra. Ela agarra o braço dele, que volta a segurar os pulsos dela.

Fábio mantém a mão na cabeça de Jaqueline, que estende o braço em direção ao peito dele.
Fábio mantém a mão sobre a cabeça de Jaqueline, que estende o braço em direção ao peito dele, onde aparece um celular aceso. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

A saída na Ranger, com ele agarrado do lado de fora

Às 23h18, enquanto Fábio está na porta da casa, Jaqueline entra na Ford Ranger pelo lado do motorista. As luzes se acendem. Ele contorna a frente da caminhonete e se posiciona junto à porta dela.

A Ranger começa a sair de ré com a porta aberta e Fábio no vão, junto ao veículo. Nas câmeras da residência, a sequência dura quase 50 segundos com ele agarrado do lado de fora, enquanto a caminhonete se desloca pelo pátio e pelo corredor da piscina, para a frente e para trás.

Ranger em movimento no pátio, com a porta do motorista aberta e Fábio do lado de fora.
A Ranger se movimenta no pátio com a porta do motorista aberta e Fábio do lado de fora. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

Já na rua, Fábio continua em pé no estribo, agarrado à porta. A caminhonete freia várias vezes, gira e segue.

Fábio permanece do lado de fora da Ranger, em pé no estribo junto à porta do motorista.
Já na rua, Fábio continua em pé no estribo e agarrado à porta da caminhonete. Foto: Reprodução / Jornal Razão.

A queda na Rua Minas Gerais

Às 23h19, pelo horário exibido nas imagens da Rua Minas Gerais, no mesmo bairro, Fábio cai e bate a cabeça. A caminhonete segue adiante.

Segundo a Polícia Civil, foram identificadas marcas na lateral da Ranger compatíveis com alguém se segurando na parte externa, mas não havia vestígios relacionados ao fato na parte de baixo do veículo. A investigação não confirmou que a caminhonete tenha passado por cima dele.

Pouco mais de um minuto depois da queda, um veículo escuro passa pelo local, no sentido contrário, sem parar. A imagem não permite identificar o modelo nem afirmar que seja a Ranger. Até o fim do trecho exibido, ninguém se aproxima de Fábio.

O retorno à casa e o limite da gravação

Pelo relógio das câmeras da residência, às 23h21 a Ranger entra na garagem. Jaqueline aparece na porta do motorista. Ela retira o Compass, volta correndo para dentro da casa e sai às 23h22. Na sequência reconstruída a partir dos relógios exibidos, isso ocorre mais de três minutos depois da queda, ressalvada a falta de sincronização comprovada entre os sistemas.

Segundo a Polícia Civil, Jaqueline retorna ao local, fica ao lado de Fábio tentando estancar o sangramento e depois vai ao hospital. Esse atendimento não aparece nas imagens da queda exibidas na reportagem, pois a gravação termina às 23h21, antes do retorno descrito pela polícia.

Outro registro da sequência mostra uma viatura de emergência passando às 23h25. Fábio morreu no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, pouco depois da meia-noite.

Por que a polícia não indiciou e o MP denunciou

A Polícia Civil encerrou a investigação em agosto sem indiciar Jaqueline. A corporação interpretou o episódio como uma reação em contexto de violência doméstica e considerou que ela estava sendo impedida de sair.

Na avaliação policial, as manobras tinham o objetivo de fazer Fábio se soltar do veículo. O delegado afastou a responsabilização criminal de Jaqueline, apontou que o empresário se colocou em risco ao permanecer agarrado à caminhonete e apresentou, entre os fundamentos, a legítima defesa.

A 2ª Promotoria de Justiça de Indaial discorda. O MPSC sustenta que Jaqueline percebeu que Fábio estava na parte externa da Ranger e, mesmo assim, continuou a condução com movimentos bruscos, provocando a queda e assumindo o risco de causar a morte.

A acusação inclui a qualificadora de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O Ministério Público pede que, ao final da primeira fase do processo, ela seja pronunciada e submetida ao Tribunal do Júri. Também solicita indenização mínima de R$ 100 mil aos sucessores de Fábio.

O que sustenta a defesa

A posição da defesa é de que não houve crime: Jaqueline estava sendo impedida de sair à força e usou a caminhonete para se livrar da situação. A tese apresentada é de legítima defesa, diante da violência sofrida e da tentativa de deixar a residência.

O não indiciamento foi uma conclusão da Polícia Civil, e não uma absolvição judicial. Da mesma forma, o oferecimento da denúncia não significa condenação nem confirma que haverá julgamento pelo júri.

As imagens integram uma investigação que recebeu interpretações diferentes da polícia e do Ministério Público. A análise da acusação cabe agora à Justiça. O Jornal Razão continua acompanhando o caso.

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