Um hospital de Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, recebeu 70 pacientes encaminhados por uma prefeitura para cirurgia de catarata em dois dias, e só seis apareceram. O caso foi contado pelo diretor do Hospital Nossa Senhora de Fátima, Jean Gonçalves, e deixou 64 vagas sem uso. A taxa média de faltas na instituição é de 18%.
O problema aparece em cidades de todas as regiões do Estado. Em Balneário Camboriú, as faltas em consultas e exames chegaram a quase 80 mil de janeiro a setembro. A cidade instalou nas Unidades Básicas de Saúde um quadro chamado Faltômetro, que mostra as ausências por especialidade. Só na UBS Municípios, em setembro, o quadro somou 308 faltas.
Na odontologia de Balneário Camboriú, foram 6.419 faltas de janeiro ao fim de setembro. A secretária de Saúde, Aline Leal, afirma que cada consulta marcada mobiliza médicos, equipe de enfermagem e estrutura física.
Em Tijucas, o balanço da Secretaria de Saúde mostra 10.681 atendimentos marcados de janeiro a abril no Centro de Especialidades Orlando Barreto, no CEMPS e no Centro de Especialidades Odontológicas. Desses, 3.541 ficaram sem paciente, o que dá uma falta a cada três agendamentos.

Em Joinville, a atenção básica registrou 76.597 faltas em 389 mil agendamentos nos primeiros quatro meses do ano, com prejuízo estimado em R$ 1,1 milhão. Ao longo de 2025, a cidade somou 242 mil faltas em consultas e exames na atenção primária, com custo estimado de R$ 3,57 milhões.
Indaial contabilizou 8.799 consultas perdidas no primeiro semestre. São José teve 8.233 consultas médicas não realizadas em três meses. Em Itajaí, cerca de 7 mil pessoas faltaram a exames e consultas só em janeiro e fevereiro, e quem falta volta para o fim da fila.
Em Chapecó, de maio a agosto, a atenção básica teve 9.224 ausências em 77.069 consultas agendadas, e a atenção especializada, 11.824 faltas em 88.151. Em Palhoça, levantamento interno da Secretaria de Saúde aponta cerca de 20% de faltas nas consultas e 30% nos exames.
Em Jaraguá do Sul, a pediatria teve 197 faltas em 553 consultas especializadas agendadas, uma taxa de 35,62%. O secretário de Saúde, Rogério Luiz da Silva, diz que o paciente que confirma e não comparece prejudica o vizinho.
Em Criciúma, a Prefeitura informou que, de 295.968 consultas com especialistas e exames marcados em 2025, mais de 119 mil tiveram falta, o que passa de 40%. Em dezembro, o índice chegou a 57%, com 14.384 ausências. Na mesma cidade, o morador Dailto Feuser contou em março que esperou seis meses por um exame de ultrassom.
A falta não explica toda a fila. A Secretaria de Saúde de Criciúma informa que a procura por ultrassonografia é maior do que a capacidade das clínicas que prestam o serviço. Em Blumenau, a Câmara de Vereadores aprovou em segunda votação um projeto que cria regras para melhorar o aviso de consultas e exames. O autor, vereador Jean Volpato, afirma que a proposta nasceu de reclamações de moradores que esperaram meses e perderam o atendimento por falta de informação ou por aviso em cima da hora.
O pedido das secretarias é o mesmo: quem não puder comparecer deve avisar a unidade de saúde com antecedência, para que a vaga seja destinada a outro paciente. Em Balneário Camboriú, a orientação é avisar com 48 horas.
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