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em Maus-tratos

Desnutridos e tratados “na base do terror”: Ibama fecha criadouro de macacos-prego em SC

Foto de Por equipe <span style="color:#1877F2; font-weight:700;">Jornal Razão</span>

Por equipe Jornal Razão

Publicado em 12/04/2026 07h19 | Atualizado há 32 dias
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Criadouro funcionava em Xanxerê e operou por 11 anos sob proteção de liminar; 26 animais foram resgatados e levados a instituição de reabilitação.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou o último criadouro de macacos-prego em funcionamento no Brasil. O estabelecimento ficava em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, e foi fechado por maus-tratos após os animais serem encontrados desnutridos, estressados, privados de luz solar e submetidos a manejo com jatos d’água de alta pressão. A ação foi concluída nesta semana e divulgada nesta sexta-feira (10). Os 26 macacos-prego que ainda restavam no local foram resgatados e levados a uma instituição especializada em reabilitação.

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De acordo com o G1, uma das fiscais do Ibama envolvidas no resgate, cuja identidade não foi revelada, descreveu as condições em que os animais viviam. “Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse e de cativeiro inadequado. O manejo era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado“, relatou.

Segundo a fiscal, o estresse era tão severo que os macacos já não desenvolviam comportamentos naturais da espécie, como a formação de hierarquias dentro dos grupos, algo essencial para qualquer primata.

Entre as irregularidades constatadas pelo Ibama estavam gaiolas pequenas que impediam movimentos básicos como escalar, desnutrição, estresse crônico, privação total de luz solar e separação precoce entre mães e filhotes.

Criadouro vendia macacos como mercadoria

O estabelecimento funcionava como criadouro comercial: os macacos-prego eram reproduzidos e vendidos, assim como saguis e outros animais da fauna brasileira. Durante os 11 anos em que operou sob proteção de uma liminar judicial, de 2013 a 2024, o criadouro declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis.

“O criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando o lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias“, afirmou a fiscal.

O processo de fechamento não foi simples. Segundo o Ibama, o proprietário promovia obstáculos às equipes de fiscalização, o que tornou necessária a expedição de um mandado judicial para o ingresso na propriedade e a retirada dos últimos 26 animais.

No ano passado, já haviam sido removidos do local 167 animais, 126 aves e 41 primatas, encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, Lorena (SP) e Porto Alegre.

Um recomeço para os macacos

Os 26 macacos-prego resgatados foram transferidos para uma instituição especializada em reabilitação animal. No novo espaço, os primatas têm acesso a ambientes amplos com terra, vegetação e estruturas para escalada, condições que não existiam no criadouro.

Os animais recebem acompanhamento nutricional e estímulos para recuperar comportamentos naturais da espécie. “Daqui pra frente, no novo lar, eles terão a oportunidade de compor bandos e viver socialmente, o que é fundamental para qualquer primata”, disse a fiscal.

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