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Pai em pânico, mãe morta e filha de 10 anos na UTI: primeira tragédia do El Niño em SC destrói casa na Grande Florianópolis

O talude cedeu às 3h após uma semana de chuva em Santo Amaro da Imperatriz. A mulher de 44 anos foi retirada dos escombros pelo filho de 25, mas não resistiu. A menina de 10 anos segue internada em estado delicado no Hospital Joana de Gusmão.

Pai em pânico, mãe morta e filha de 10 anos na UTI: primeira tragédia do El Niño em SC destrói casa na Grande Florianópolis
Foto: Reprodução
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Eram por volta das 3h quando a terra encharcada por uma semana inteira de chuva desceu de uma vez. O talude atrás da casa cedeu, arrebentou as paredes dos fundos e invadiu o imóvel com quatro pessoas dormindo lá dentro, em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis. Quando o barulho parou, a mulher de 44 anos que morava ali estava soterrada.

Quem a tirou debaixo da terra foi o próprio filho, de 25 anos. Com a ajuda de um vizinho, ele conseguiu levar a mãe ao hospital ainda na madrugada. Não adiantou. Katrina Karla do Nascimento dos Passos não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada pelo prefeito Gustavo José de Abreu.

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Dentro da mesma casa estava a filha caçula do casal, uma menina de 10 anos. Quando o Corpo de Bombeiros Militar chegou, o pai já havia conseguido tirar a criança do meio dos escombros e a colocado em uma área considerada segura. A menina estava inconsciente, em parada cardiorrespiratória, com um ferimento profundo na testa.

Uma hora de reanimação

O que veio depois foi uma hora de luta no chão, sem recurso nenhum. Não havia equipamento de respiração no local. A reanimação começou no boca a boca, em ciclos de quinze compressões e duas ventilações, repetidos sem parar até o SAMU assumir com equipamento específico. Em seguida chegou a unidade avançada, com médico.

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Aos pés da filha, ajoelhado, estava o pai. Ele tinha fortes dores no braço esquerdo, com suspeita de lesão no ombro, e recusou atendimento. Queria continuar ali. Do outro lado da criança, o padrinho da menina acompanhava a reanimação sem conseguir fazer nada.

Mais de uma hora depois, a menina voltou a respirar por conta própria. A equipe a preparou para o transporte ao hospital infantil, mas, no momento em que ela foi colocada dentro da ambulância, teve uma nova parada. Ela foi levada ao Hospital Joana de Gusmão, onde está internada na Unidade de Terapia Intensiva. Conforme o prefeito, o quadro é delicado.

O pai foi socorrido em outra ambulância e encaminhado ao Hospital São Francisco. Ele já recebeu alta.

Casa interditada

Enquanto os socorristas trabalhavam, um forte cheiro de gás tomava a área da cozinha, completamente destruída pela massa de terra. Uma equipe verificou o ponto e descartou risco de vazamento. Logo depois, os bombeiros isolaram toda a residência: a pancada do barranco abriu rachaduras na estrutura, e o imóvel foi interditado por risco de desabamento. A Defesa Civil ampliou o cerco no entorno e interditou outras duas residências e duas construções próximas.

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O El Niño já estava avisado

O deslizamento não veio do nada. Três dias antes, em 13 de agosto, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil e a Epagri/Ciram divulgaram nota meteorológica alertando que os efeitos do El Niño já eram perceptíveis em Santa Catarina, com julho fechando acima do volume de chuva esperado para a época e a tendência de repetição em agosto. O texto era direto sobre o que isso significava na prática: aumento do risco de inundações e deslizamentos.

O boletim de tendência da Epagri/Ciram para o período de 18 a 27 de agosto mantém o mesmo diagnóstico e atribui as chuvas mais frequentes ao El Niño já estabelecido, com projeção de continuidade até setembro. Conforme o Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos (CPC/NOAA), o fenômeno se aproxima do patamar de forte intensidade e deve seguir ganhando força entre o fim do inverno e o início da primavera, com mais de 90% de chance de atingir intensidade muito forte.

Agosto costuma ser um dos meses mais secos do calendário catarinense. Neste ano, o solo passou uma semana inteira absorvendo água sem trégua até o talude nos fundos daquela casa não segurar mais.

147 famílias atingidas em SC

O levantamento da Defesa Civil de Santa Catarina mostra que a instabilidade cobrou preço em todo o estado. Entre a quinta-feira (13) e o começo deste domingo (16), pelo menos 147 famílias tiveram as casas atingidas por chuva, vento, granizo e deslizamentos. Há ainda estradas danificadas e pontes derrubadas.

  • Papanduva: cerca de 40 residências afetadas por vento e chuva forte, sem desabrigados ou desalojados.
  • Bela Vista do Toldo: 96 residências afetadas por vento, chuva forte e granizo, sem desabrigados ou desalojados.
  • Gravatal: danos em uma residência por causa da chuva.
  • Bocaina do Sul: estradas e pontes danificadas, com prejuízo à mobilidade e ao transporte escolar.
  • Braço do Norte: deslizamento de terra, três residências desocupadas por risco e três famílias desalojadas.
  • Imbituba: deslizamento no bairro Vila Nova Alvorada atingiu uma residência, com uma pessoa desalojada.
  • Antônio Carlos: colapso total de uma ponte de concreto armado, com interdição da via e prejuízo ao escoamento agrícola.
  • Fraiburgo: desabamento de uma residência, sem vítimas, com três pessoas desalojadas.
  • Guarujá do Sul: granizo, chuva e vento forte, com danos em uma escola.
  • Capinzal: chuva com granizo danificou estradas e cinco residências.

A Defesa Civil segue monitorando as áreas de risco e reforça a orientação de acompanhar diariamente os avisos meteorológicos. A menina de 10 anos permanece internada.

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