Um eleitor de Lula que diz ter sido espancado por um assessor de Jair Renan Bolsonaro pulou duas cercas e entrou no terreno da família do assessor na noite de domingo (25), depois do resultado do segundo turno, no bairro Vargem Pequena, em Florianópolis. As câmeras de segurança da casa, obtidas pelo Jornal Razão, mostram a briga já do lado de dentro do terreno.
As duas casas são da mesma família. De um lado moram os pais de Gustavo Schiphorst, de 21 anos, natural de Florianópolis, assessor parlamentar do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) na Câmara de Balneário Camboriú. Jair Renan foi eleito deputado federal em outubro. Do outro lado mora um sobrinho do casal, primo do assessor. Entre os dois lotes há um terreno baldio e duas cercas.
A família do assessor diz que os xingamentos começaram do lado do sobrinho, que comemorava a vitória de Lula, com gritos de “vai dar PT”, e admite que respondeu.
Por volta das 21h20, o pai do assessor saía de carro. Segundo a família, foi então que o sobrinho cruzou o terreno baldio e pulou as cercas em direção à casa do tio. A mãe do assessor conta que empurrava o sobrinho de volta, para ele não vir para a briga, e pediu que ele ficasse do lado de lá. Segundo ela, foi quando ele caiu por cima do próprio braço.

Às 21h23, alguém de dentro da casa gira a câmera lateral pelo celular. A imagem já mostra o sobrinho no chão, com um rapaz por cima e mais dois chegando. A família diz que o rapaz de cima é o assessor, que caiu junto, e que todos tentavam separar. Reconhece, porém, que um amigo do assessor, convidado da festa, deu um chute no sobrinho, e chama o chute de desnecessário. O pai conta que desceu do carro para apartar. A confusão durou cerca de cinco minutos junto à cerca, com parentes dos dois lados.
A mãe do assessor ficou com arranhões no antebraço e nas mãos e uma marca vermelha no rosto. A família registrou boletim de ocorrência na segunda-feira (26), às 12h07, na 5ª Delegacia de Polícia da Capital, por vias de fato e lesão corporal. No registro, ela afirma que o sobrinho pulou o muro, caiu e fraturou um dos braços, e que agrediu o filho dela nos braços, no rosto e na virilha.
O sobrinho dá outra versão. Diz que foi espancado e atingido por garrafas, e registrou boletim de ocorrência na terça-feira (27). Ele teve o braço fraturado, e a esposa dele conseguiu medidas protetivas na Justiça. A Polícia Civil investiga o caso na 7ª Delegacia de Polícia da Capital.
Em nota, Jair Renan disse que soube do caso pela imprensa, que o assessor relatou um conflito familiar, que repudia qualquer tipo de violência e que vai aguardar a apuração antes de tomar qualquer providência.
Em contato com o Jornal Razão, a advogada de Gustavo afirmou que não houve arremesso de objetos, que o primo pulou o muro e as cercas e entrou na casa, e que as gravações não mostram golpes de Gustavo.
Em nota, o advogado Marcos Paulo Poeta dos Santos, que defende Michel Schiphorst, pai de Gustavo, afirma que Michel buscou intervir para apaziguar os ânimos e evitar o agravamento do conflito. A defesa ressalta que a residência foi invadida e que as circunstâncias dos fatos, ainda não integralmente esclarecidas nas divulgações públicas, serão demonstradas perante a Justiça, com a apresentação das provas pertinentes.
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