Santa Catarina é o estado que mais ganhou eleitores de outros estados no Brasil desde a última eleição presidencial. Entre novembro de 2022 e maio de 2026, 276.513 eleitores transferiram o título de outros estados para SC, e 93.277 fizeram o caminho contrário, segundo os dados de transferência de título do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levantados pelo JR. O saldo, de 183.236, é o maior do país e mais que o dobro do de Goiás (79.763), o segundo colocado.
Saldo de SC é o maior do país
Depois de Goiás vêm Mato Grosso (61.921), Minas Gerais (51.123) e Paraná (44.765). Só dez estados ganharam mais eleitores do que perderam. Nos outros 16 e no Distrito Federal, saiu mais gente do que chegou. Os maiores saldos negativos são do Maranhão (−68.803), do Pará (−55.956) e do Rio Grande do Sul (−48.053).
| Posição | Estado | Chegaram | Saíram | Saldo |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Santa Catarina | 276.513 | 93.277 | +183.236 |
| 2º | Goiás | 237.180 | 157.417 | +79.763 |
| 3º | Mato Grosso | 142.936 | 81.015 | +61.921 |
| 4º | Minas Gerais | 259.278 | 208.155 | +51.123 |
| 5º | Paraná | 182.248 | 137.483 | +44.765 |
| 6º | Espírito Santo | 69.528 | 47.572 | +21.956 |
| 7º | Paraíba | 87.784 | 70.449 | +17.335 |
| 8º | Tocantins | 62.912 | 56.125 | +6.787 |
| 9º | Mato Grosso do Sul | 60.194 | 55.621 | +4.573 |
| 10º | Piauí | 78.033 | 75.999 | +2.034 |
| 11º | Roraima | 15.825 | 16.579 | −754 |
| 12º | Sergipe | 34.417 | 39.316 | −4.899 |
| 13º | Alagoas | 64.143 | 72.064 | −7.921 |
| 14º | Ceará | 94.633 | 102.949 | −8.316 |
| 15º | Rio Grande do Norte | 38.598 | 48.844 | −10.246 |
| 16º | Amapá | 19.475 | 32.167 | −12.692 |
| 17º | Acre | 9.271 | 26.219 | −16.948 |
| 18º | Rondônia | 35.149 | 52.501 | −17.352 |
| 19º | Bahia | 206.264 | 238.267 | −32.003 |
| 20º | Distrito Federal | 89.289 | 121.780 | −32.491 |
| 21º | Rio de Janeiro | 132.275 | 167.666 | −35.391 |
| 22º | Pernambuco | 103.394 | 139.569 | −36.175 |
| 23º | Amazonas | 36.743 | 74.276 | −37.533 |
| 24º | São Paulo | 485.254 | 533.214 | −47.960 |
| 25º | Rio Grande do Sul | 68.513 | 116.566 | −48.053 |
| 26º | Pará | 136.485 | 192.441 | −55.956 |
| 27º | Maranhão | 122.025 | 190.828 | −68.803 |
Títulos de eleitor transferidos entre estados de novembro de 2022 a maio de 2026, sem contar o exterior.
De onde vieram
Quem chegou a Santa Catarina veio principalmente do Rio Grande do Sul (72.632 títulos), do Paraná (50.036), de São Paulo (31.636) e do Pará (26.667). Entre as cidades de origem, lideram Porto Alegre (10.998), Curitiba (9.315), Belém (9.166), São Paulo (8.275) e Manaus (7.315).
Quase seis em cada dez eleitores que chegaram têm de 25 a 44 anos (57,6%), e 20,6% declararam ensino superior completo no título, contra 14,8% do eleitorado catarinense.
As cidades que mais receberam
Florianópolis recebeu 31.600 títulos, mais de um terço deles do Rio Grande do Sul. Depois vêm Joinville (21.243), Itajaí (15.398), São José (12.049) e Blumenau (11.997). Em Joinville, Blumenau e Brusque, o Pará é o estado de onde mais vieram eleitores. Em Itapoá, quase oito em cada dez vieram do Paraná, e em Garopaba e Imbituba, a maioria veio do Rio Grande do Sul.
| Posição | Cidade | Títulos de outros estados | Equivalem a (% do eleitorado) | Principais origens |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Florianópolis | 31.600 | 7,5% | RS (11.074), SP (5.007), PR (3.376) |
| 2º | Joinville | 21.243 | 4,8% | PA (3.621), PR (3.553), SP (2.958) |
| 3º | Itajaí | 15.398 | 8,5% | RS (2.723), PR (2.191), SP (1.947) |
| 4º | São José | 12.049 | 6,2% | RS (3.257), PA (1.940), SP (1.121) |
| 5º | Blumenau | 11.997 | 4,5% | PA (2.361), SP (1.413), PR (1.375) |
| 6º | Palhoça | 11.510 | 7,5% | RS (3.615), PA (1.440), SP (1.142) |
| 7º | Balneário Camboriú | 10.760 | 9,8% | RS (3.213), PR (2.697), SP (1.359) |
| 8º | Itapema | 9.068 | 15,1% | RS (3.152), PR (1.994), SP (693) |
| 9º | Navegantes | 7.243 | 10,9% | PA (1.215), PR (1.094), RS (1.080) |
| 10º | Brusque | 6.792 | 6,7% | PA (1.701), BA (872), SP (871) |
| 11º | Jaraguá do Sul | 6.770 | 5,2% | PR (1.584), SP (1.251), RS (828) |
| 12º | Chapecó | 6.649 | 4,1% | RS (2.556), PR (987), SP (438) |
| 13º | Criciúma | 5.088 | 3,3% | RS (1.879), PA (605), SP (435) |
| 14º | Camboriú | 4.975 | 8,0% | RS (1.252), PR (1.051), SP (667) |
| 15º | Tijucas | 3.960 | 10,7% | RS (1.106), PR (600), BA (462) |
| 16º | Itapoá | 3.926 | 18,1% | PR (3.071), SP (263), RS (110) |
| 17º | Biguaçu | 3.228 | 5,6% | RS (814), PA (340), BA (327) |
| 18º | Imbituba | 3.049 | 7,2% | RS (2.078), SP (291), PR (227) |
| 19º | Barra Velha | 2.974 | 10,0% | PR (998), SP (490), RS (461) |
| 20º | Garopaba | 2.899 | 12,0% | RS (2.165), SP (235), PR (182) |
Em relação ao tamanho do eleitorado, as mudanças maiores estão no litoral. Em Passo de Torres, os títulos que chegaram equivalem a 22,0% do eleitorado de 2026. Em Itapoá, a 18,1%; em Balneário Gaivota, a 17,9%; e em Itapema, a 15,1%.

Eleitorado cresceu 236 mil
O eleitorado catarinense passou de 5.489.658 em 2022 para 5.725.753 em 2026. O saldo de transferências com outros estados e o exterior, de 178.302, equivale a três quartos desse crescimento. O resto vem dos novos títulos, descontadas mortes e cancelamentos.
O movimento continua: só desde a eleição municipal de 2024, foram 156.824 títulos de outros estados para SC, com saldo de 107.278, de novo o maior do país. O cadastro eleitoral, fechado desde maio, reabre em 3 de novembro.
Como o levantamento foi feito
O JR usou o arquivo “Perfil de transferência do eleitorado”, do Portal de Dados Abertos do TSE, que registra os pedidos de transferência de título com o município de origem e o de destino. O período vai de novembro de 2022, quando o cadastro reabriu depois da eleição, a maio de 2026, quando fechou para a eleição deste ano. Os números contam pedidos: quem mudou de cidade mais de uma vez aparece mais de uma vez, e quem se mudou sem transferir o título não aparece. Nas 295 cidades catarinenses, os títulos transferidos acompanham a migração medida pelo Censo 2022 do IBGE.
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