A produção da indústria brasileira caiu 2,2% no 3º trimestre de 2026, na comparação com o 2º trimestre, segundo a Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (5). É a queda mais forte para um trimestre desde o 3º trimestre de 2021, quando a indústria recuou 3,1%.
O recuo veio depois de duas altas seguidas: a produção tinha subido 1,3% no 1º trimestre e 0,2% no 2º. Na comparação com o mesmo período de 2025, o 3º trimestre ficou 1,4% abaixo.
Em setembro, a produção caiu mais 0,8% sobre agosto e ficou 2,5% abaixo de setembro de 2025. A indústria acumula perda de 4,1% desde maio, e 17 dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE produziram menos no mês. De janeiro a setembro, a alta sobre o mesmo período do ano passado é de só 0,4%.





Juros em 13,75%
A queda acontece com os juros em patamar alto. O Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião do Copom encerrada nesta quarta-feira (4). Juro alto encarece o crédito das empresas que querem investir e do consumidor que compra a prazo.
A produção de bens de capital, as máquinas e os equipamentos que as empresas compram para produzir mais, teve a maior queda entre as grandes categorias no ano: recuo de 5% de janeiro a setembro, segundo o IBGE. Só a fabricação de máquinas e equipamentos acumula queda de 7,8%.
Recorde de inadimplentes
Do lado das famílias, o aperto também bateu recorde. O Brasil chegou a 84,2 milhões de inadimplentes em setembro, o maior número da série histórica do Mapa da Inadimplência da Serasa. São cerca de 300 mil pessoas a mais que em agosto e 6% a mais que em setembro de 2025.
As dívidas em atraso somam R$ 597,4 bilhões, segundo a Serasa, e a dívida média de cada inadimplente é de R$ 7.093,83.
A crise da Portobello
A crise financeira da Portobello, em Tijucas, não é um caso isolado. A fabricante de revestimentos cerâmicos deixou de pagar, em junho, R$ 59,8 milhões em parcelas de debêntures, títulos de dívida vendidos a investidores. Em 21 de outubro, a agência Fitch Ratings rebaixou a nota da empresa para “RD”, a classificação de quem não paga as dívidas como combinado.
No 2º trimestre, quase tudo o que a operação da Portobello gerou foi para juros e outras despesas financeiras. A operação gerou R$ 97,1 milhões, e as despesas financeiras somaram R$ 96,8 milhões, segundo os resultados da PBG S.A., a companhia aberta que controla o grupo. Em junho, a dívida total passava de R$ 1,6 bilhão, segundo a Fitch.
A Portobello afirma que está em dia com clientes, fornecedores e funcionários e que negocia mais prazo com os credores. O pagamento das debêntures foi adiado para 31 de janeiro de 2027, e o balanço do 3º trimestre sai no dia 11 de novembro.
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