Logo Jornal Razão
Publicidade

Após abrir fábrica no Paraguai, Karsten vai fechar unidade em SC com cerca de 75 funcionários

Unidade de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí, encerra as atividades no dia 27 de novembro; a primeira fábrica da empresa fora do Brasil foi inaugurada em março, em Minga Guazú

2º turnoApuração do 2º turno, domingo às 17hFlávio × Lula voto a voto, no Brasil, em SC, nas 5.570 cidades e no exteriorAcompanhar →
Após abrir fábrica no Paraguai, Karsten vai fechar unidade em SC com cerca de 75 funcionários
Foto: Reprodução
Publicidade

Sete meses depois de inaugurar a primeira fábrica fora do Brasil, no Paraguai, a Karsten vai fechar a unidade de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí. A fábrica catarinense tem cerca de 75 funcionários e para no dia 27 de novembro, segundo o jornalista William Fritzke, que publicou o fechamento no Instagram nesta quinta-feira (29).

Em nota, a Karsten, que tem sede em Blumenau, diz que o encerramento faz parte de uma “reorganização estratégica e operacional”, que a decisão já foi comunicada aos trabalhadores da unidade e que a transição será feita de forma responsável, com respeito aos profissionais. A empresa afirma que as outras operações seguem normalmente. “A companhia mantém desempenho positivo e seguirá concentrada na execução de sua estratégia e no fortalecimento de sua operação”, diz o texto.

Publicidade

A nota não cita o Paraguai. A relação entre o fechamento e a fábrica que a Karsten abriu no país vizinho circulou nas redes sociais depois do anúncio, mas não aparece no comunicado nem nos documentos que a empresa entregou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste ano. A Karsten tem ações na bolsa e, até o início da tarde desta quinta, não tinha publicado fato relevante nem comunicado ao mercado sobre Ibirama. A empresa também não disse para onde vai a produção da unidade.

A fábrica do Paraguai fica em Minga Guazú, no leste do país, e foi inaugurada em 26 de março. É a primeira da Karsten fora do Brasil. Quando abriu a unidade, a empresa informou que ela serviria para ampliar a produção, principalmente de itens de banho, como toalhas, para abastecer primeiro o mercado brasileiro, junto com as fábricas que já funcionam no Brasil. A unidade começou com cerca de 50 trabalhadores paraguaios, e a previsão era passar de 80 até o fim do ano. No balanço de 2025, a Karsten registrou que comprou em setembro daquele ano uma empresa recém-criada no Paraguai, ainda sem operação, “com o foco de ampliar a capacidade produtiva”. A linha também é outra: quando anunciou a fábrica de Ibirama, em 2021, a Karsten informou que ela faria jogos de cama.

Em março, duas semanas antes da inauguração, o presidente da Karsten, Márcio Luiz Bertoldi, contou ao jornalista Fernando Nakagawa, da CNN Brasil, que a discussão sobre ampliar a produção começou em 2014. “Nós cogitamos no Brasil e até fizemos uma nova fábrica no Brasil, uma segunda unidade. No entanto, o planejamento estratégico nos levou a internacionalizar no Paraguai”, disse. Na mesma entrevista, ele garantiu: “É importante dizer que as operações no Brasil não serão substituídas pela operação paraguaia. A nossa planta industrial em Santa Catarina continua sendo uma planta de desenvolvimento, de inovação.”

Bertoldi também falou da falta de gente para trabalhar em Santa Catarina. “Até bem pouco tempo atrás, estávamos com quase 10% de todas as vagas da companhia abertas. Isso é muito difícil”, afirmou. Segundo a CNN Brasil, a fábrica paraguaia entra no regime de maquila, criado para empresas estrangeiras que se instalam no Paraguai para exportar, com um imposto único de 1% sobre o valor agregado.

Publicidade

Os números da empresa mostram vendas em alta e lucro em queda. No primeiro semestre deste ano, a Karsten teve receita líquida de R$ 358,1 milhões, 4,6% a mais que no mesmo período de 2025, e lucro de R$ 19,3 milhões, queda de 35,7%. O resultado da operação (Ebitda ajustado) caiu de R$ 50,9 milhões para R$ 35,9 milhões. No relatório entregue à CVM, a empresa atribui a queda à expansão do outsourcing, a terceirização de parte da produção, que aumentou os custos no começo, e aos investimentos para crescer. Em 2025 inteiro, a receita foi de R$ 759 milhões e o lucro, de R$ 70,5 milhões.

Os documentos da Karsten na CVM não registram pedido de recuperação judicial nem extrajudicial. A dívida líquida era de R$ 353,9 milhões em junho. A empresa ainda paga as debêntures renegociadas com os credores em 2019, com fim previsto para 2027, e diz cumprir todas as condições do acordo. Ao mesmo tempo, investe na matriz: anunciou R$ 16 milhões em máquinas para a fábrica de Blumenau, cerca de R$ 12 milhões em 12 teares da japonesa Toyota, que substituem até dezembro 20 teares dos anos 1990, e cerca de R$ 4 milhões num sistema automático de costura da alemã Texpa, anunciado em junho.

A unidade de Ibirama foi aberta em 2021 na Rua Mirador, no bairro Ponto Chic, num galpão de 4,8 mil metros quadrados onde funcionava uma fábrica da Hering, desativada em janeiro de 2016. A previsão era gerar 130 empregos, 100 diretos e 30 indiretos. “É um orgulho para a nossa cidade receber uma das principais empresas têxteis do Brasil e do mundo”, disse na época o então prefeito, Adriano Poffo. Não é o primeiro fechamento da Karsten: em 2015, a empresa encerrou a fábrica de Maracanaú, no Ceará, e levou a produção para Blumenau.

A Karsten não informou se vai oferecer vagas em Blumenau aos trabalhadores de Ibirama nem se vai pagar algo além do que a lei prevê. Na demissão sem justa causa, o trabalhador tem direito a aviso prévio, saldo de salário, férias e 13º proporcionais, saque do FGTS com multa de 40% e seguro-desemprego. Até a tarde desta quinta, a Prefeitura de Ibirama não tinha publicado nada sobre o fechamento, e o JR não localizou manifestação do sindicato dos trabalhadores.

Publicidade

Fundada em Blumenau em 1882, a Karsten faz produtos de cama, mesa, banho e decoração, com as marcas Karsten, Karsten Decor, Karsten Ateliê e Trussardi. Em junho, a empresa informou ter mais de 2,4 mil funcionários. A fábrica de Ibirama funciona até 27 de novembro.

Fonte: post do jornalista William Fritzke no Instagram.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/economia/karsten-fecha-fabrica-ibirama-paraguai

Publicidade

Mais de Ibirama

Ver todas ›
Publicidade
Publicidade