Um aluno do 9º ano da rede municipal de Itapema criou um sistema de votação eletrônica que pode ser usado pela própria prefeitura. Cauã, estudante da Escola Municipal Cívico-Militar (ECIM) Prefeito Francisco Victor Alves, desenvolveu a ferramenta por iniciativa própria e apresentou o sistema às equipes da Educação e da Tecnologia da Informação do município.
A proposta chamou a atenção pela possibilidade de uso na eleição de diretores das escolas municipais, prevista para novembro. Antes de qualquer uso oficial, a plataforma será analisada pela equipe técnica da prefeitura.
A apresentação reuniu o secretário de Educação, Valdir Nesi Filho, a diretora de Ensino, Silvia Renata Monteiro, o diretor de Tecnologia da Informação, Rafael Benetti, e as diretoras da escola, Gisele e Cidiane.
Da robótica ao site do TSE
O interesse de Cauã por tecnologia começou nas atividades de robótica da rede municipal. A partir desse contato, o estudante passou a se aprofundar em programação e no desenvolvimento de soluções próprias.

Ao Jornal Razão, Cauã contou que a ideia do sistema veio de muita pesquisa. Ele entrou no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tirou prints das telas para entender como aparecem o número, o partido, o nome e a foto de cada candidato. O aluno também conversou com a comissão da escola e contou com o auxílio de uma inteligência artificial para montar o aplicativo.
“Eu comecei a desenvolver por interesse em programação e fui criando as funções até chegar nesse formato. Ver que agora o projeto pode ser analisado pela Prefeitura e talvez utilizado de verdade é muito legal. Também vai ser uma oportunidade de aprender ainda mais com quem trabalha na área”, disse o estudante.
Como o sistema funciona
Na demonstração feita ao Jornal Razão, o sistema funcionou em duas telas. No celular fica o painel do mesário, que abre a eleição com a emissão da zerésima, o relatório em PDF que mostra que todos os candidatos começam sem nenhum voto. No notebook fica a urna: o eleitor digita o número, vê o nome, o partido e a foto do candidato e confirma o voto. A cada voto confirmado, o painel do mesário atualiza a contagem de votos apurados.
Quando o mesário encerra a eleição, a urna trava e mostra que a votação foi encerrada. No painel aparece o resultado final, com o primeiro, o segundo e o terceiro colocados e os totais de votos válidos, brancos e nulos. O resultado pode ser baixado em PDF, no formato A4.
Projeto passa por avaliação técnica
Depois da apresentação, Cauã foi convidado a acompanhar a evolução do projeto com a equipe de TI da prefeitura. Ele também vai contribuir no ambiente de desenvolvimento usado pelo município.
Antes de qualquer uso oficial, o sistema passará por testes e ajustes feitos pela equipe de TI. Serão avaliados segurança da informação, controle de acesso, integridade dos votos, possibilidade de auditoria, desempenho e confiabilidade. Se for aprovada tecnicamente e atender aos requisitos do município, a ferramenta pode ser usada já na escolha dos diretores das escolas neste ano.
Para o diretor de Tecnologia da Informação, Rafael Benetti, o projeto mostra iniciativa e conhecimento técnico. “É muito significativo receber uma solução criada por um aluno da nossa própria rede e perceber que existe ali conhecimento, curiosidade e vontade de desenvolver algo útil. Agora vamos trabalhar junto com ele, mostrar como funciona um projeto dentro de um ambiente profissional e ajudar a evoluir essa solução dentro dos padrões necessários para um sistema institucional”, afirmou.
O secretário de Educação, Valdir Nesi Filho, disse que o resultado mostra a força da educação pública. “Ver um aluno da nossa rede desenvolver uma solução, apresentar uma ideia e agora ter a oportunidade de trabalhar ao lado da equipe da Prefeitura é motivo de muito orgulho. Nosso papel é criar cada vez mais espaços para que talentos como o Cauã sejam estimulados e possam ir ainda mais longe”, afirmou.
“Os alunos têm vez”
Cauã disse que se sentiu “muito feliz” ao saber que a prefeitura estuda usar o sistema. “Os alunos têm vez também, tanto na democracia, têm vez na política”, afirmou. Para o estudante, “é dentro da escola que prepara pro mundo, prepara pra democracia”.
A diretora Gisele disse que o projeto é motivo de orgulho para a comunidade escolar. “Pra nós é muito gratificante, saber que é um aluno nosso”, afirmou. Para ela, a iniciativa mostra que alunos de escola pública têm potencial para fazer grandes coisas. “A gente precisa entender que os tempos mudaram”, disse a diretora, que defende mais tecnologia dentro da sala de aula.
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