O professor de história Rafael Nogueira, candidato a deputado federal pelo Novo (nº 3006), rebateu no Estúdio JR a afirmação de que não existe doutrinação nas escolas. Em entrevista ao advogado e apresentador Kaiann Barentin, ele disse que a criança é justamente o alvo mais fácil para quem quer transmitir uma doutrina e classificou a tese contrária como “de má fé”.
A afirmação contestada foi feita no mesmo estúdio pelo Nós Juntas, candidatura coletiva de cinco professoras da região da AMFRI que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PT com o nome de Marisa Zanoni. Na entrevista, publicada em 10 de setembro, as professoras chamaram de mentira as acusações de doutrinação e disseram que os bebês “não são seres manipuláveis”. Para Marisa, “a escola que quer doutrinar é exatamente a escola que se diz sem partido”.
Kaiann levou a fala ao candidato do Novo. “Eu precisaria saber qual que é o conceito que ela usa de doutrinar, porque ela deve ter mudado a palavra”, respondeu Nogueira, antes de apresentar a própria definição: se doutrinar é transmitir “um código fechado de valores, ideias nas quais se deve crer e, portanto, modelos de comportamento”, a criança é “a figura ideal pra estar do outro lado ouvindo e passando por esse processo”.
O argumento dele parte do desenvolvimento humano. “A doutrinação pra adultos é muito mais difícil. O adulto já tem uma mente um pouco mais formada, um cérebro mais ajuizado e forte, capaz de avaliar aquilo que lhe chega”, afirmou. Com a criança, segundo o professor, acontece o contrário: “Uma criança com aquele cérebro cheio de sinapses ocorrendo ali e ainda com muito pouca experiência e pouco conhecimento, é a figura perfeita pra você transmitir uma doutrina que vai gerar a partir dali falas, comportamentos, condutas, perfeitamente, milimetricamente estudados”. E concluiu: “Então, eu sinto muito, mas eu acho isso de má fé”.
Antes da pergunta sobre o coletivo, Nogueira já tinha criticado o que chama de formação de militantes em sala de aula. Ele atribuiu a Paulo Freire a defesa de uma educação centrada na crítica permanente. “Criticar antes da hora é um estômago produzindo ácido sem que possa comer, sem que tenha alimento pra digerir”, disse. Na avaliação dele, o aluno que critica sem saber história passa a julgar personagens e povos que não conhece, o que “acaba destruindo a autoestima de um povo”.
As professoras do Nós Juntas leem Paulo Freire de outra forma. Na entrevista delas, afirmaram que o educador jamais defendeu a escola como lugar de baderna e que a proposta dele era estimular a curiosidade da criança e ensinar a pensar desde cedo.
Sobre o papel de cada um, Nogueira defendeu que a educação moral cabe à família, como prevê a Constituição, e que a escola pode colaborar, mas não substituir os pais. “A escola tomar pra si, como se o Estado devesse imprimir nas crianças uma certa moral, passando a família, derrubando o muro da família, aí é que tá errado”, afirmou.
O candidato também admitiu modelos diferentes de escola, desde que os pais acompanhem o que acontece em sala. “Se o pai quer colocar o filho na escola Che Guevara, que seja. Mas de alguma forma, ele tem que saber o que tá acontecendo”, disse. Sobre a gravação das aulas, defendida por parte do campo conservador, ele disse não saber se é o ideal e que ainda precisa se debruçar sobre o tema.
Na educação, a primeira pauta que Nogueira promete levar a Brasília é a revisão do ENEM e das avaliações do INEP, que, segundo ele, “parecem que avaliam mais a adesão a certas pautas” do que o conteúdo. Ele também defende mudanças na formação de professores e a volta da memorização e da correção ao dia a dia escolar.

Rafael Nogueira presidiu a Biblioteca Nacional entre 2019 e 2022, no governo Bolsonaro, e esteve à frente da Fundação Catarinense de Cultura. A entrevista faz parte da cobertura das eleições 2026 do Jornal Razão, que recebe no Estúdio JR candidatos de diferentes partidos.















