Santa Catarina tem uma campeã do MasterChef Brasil. A bombeira militar Jéssica Cruz Cechella, de 32 anos, natural de Criciúma e moradora de Laguna, no Sul do estado, venceu a 13ª temporada do reality da Band na final exibida na noite de terça-feira (29). Ela levou o troféu com um menu autoral inteiro dedicado ao litoral catarinense, com frutos do mar na entrada e no prato principal e uma sobremesa inspirada no Farol de Santa Marta, cartão-postal de Laguna.
Na decisão, Jéssica enfrentou a médica pernambucana Carla Araújo, que apostou em sabores do Nordeste. Os jurados Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça elogiaram os dois cardápios e, depois de uma disputa apertada, anunciaram a catarinense como vencedora. Como prêmio, ela leva R$ 300 mil, uma experiência de imersão gastronômica em Lisboa, em Portugal, e uma bolsa de estudos na Le Cordon Bleu, uma das escolas de gastronomia mais respeitadas do mundo.

“É o maior orgulho que eu tenho na minha vida. Eu me propus a fazer esse desafio e agora finalizar assim, com chave de ouro, está sendo incrível”, disse Jéssica ao portal da Band logo depois da vitória. “Ganhar o MasterChef é a coisa mais insana que aconteceu na minha vida nos últimos tempos.”

Um menu com o mar de Santa Catarina

O cardápio da final se chamou “Entre Mares” e foi montado com ingredientes que qualquer catarinense do litoral reconhece. Na entrada, Jéssica serviu um mil-folhas de carne de siri com ovas de tainha, maionese de butiá e purê de batata-doce, uma releitura da tradicional casquinha de siri. “Nesse início eu quis trazer a filha do pescador”, explicou aos jurados. Erick Jacquin aprovou: “Eu adorei esse mil-folhas de siri”. O prato principal, batizado de “Arrebentação”, trouxe ostras, vieiras e sorrentinos de camarão ao molho velouté, numa referência às ondas do mar e à própria profissão de bombeira. “Eu acho que você fez um prato de restaurante”, disse Jacquin.

A sobremesa, “Caminho da Luz”, foi a homenagem ao Farol de Santa Marta, em Laguna, que há mais de um século orienta os navegantes no litoral sul catarinense. No prato, Jéssica combinou sorvete de cupuaçu, flor de jambu, creme inglês de tucupi negro, chocolate e pão de ló. A escolha de ingredientes amazônicos foi proposital: “Eu consegui contar a minha história. O que eu queria mostrar ali foi esse crescimento que eu tive na competição, tanto que a minha sobremesa foi com ingredientes que eu conheci no MasterChef”, explicou.

Criada na beira da lagoa, filha de pescador
A relação de Jéssica com o peixe e o camarão vem de casa. A família vive na comunidade da Cigana, em Laguna, à beira da lagoa. “A gente tem uma casa na beirinha da lagoa. Então é muito camarão, muito peixe. É uma vida simples e, por outro lado, tão rica”, contou a mãe, Ângela, à Band. O pai, Jaime, lembrou a origem da paixão pela cozinha: “Ela sabe que tem um pai pescador, que gosta de pescar e fritar o peixinho na hora”.

A família esteve no estúdio na noite da final. Antes de embarcar para o programa, Jéssica fez uma promessa à mãe: “Mãe, eu vou para lá e só venho com aquele troféu na mão”. Cumpriu. “Ela nunca para. Pensa em uma coisa, se dedica e faz. É muito determinada”, disse Ângela. Para a campeã, rever a família foi o ponto alto da noite: “Eu estava há tanto tempo sem vê-los, então foi muito emocionante”.

Ao longo da temporada, a bombeira conquistou quatro broches dourados e chamou atenção dos jurados com pratos como pato com risoto de vinho tinto, alho negro e chocolate e um carré de cordeiro. Na semifinal, fez a melhor receita da prova com peixe-sapo e garantiu a vaga na decisão.

Laguna parou para torcer
Em Laguna, a final foi exibida ao vivo no Cine Mussi, em uma sessão aberta organizada pela prefeitura, anunciada pelo prefeito Peterson Crippa. A cidade acompanhou cada etapa da prova e comemorou o título de uma moradora que levou o sabor do Sul catarinense para a cozinha mais famosa da TV brasileira.

Depois do título, Jéssica não pretende largar a farda de imediato, mas deixou a porta aberta: “Nada é permanente. Se as coisas tomarem um rumo diferente e eu precisar largar a corporação, eu estou aberta a novas experiências”. O objetivo principal, segundo ela, era a bolsa na Le Cordon Bleu, e o prêmio em dinheiro já tem destino: um restaurante próprio. “Eu até já comprei um terreno”, revelou. O marido, Thiago, adiantou o formato: “A gente está com essa ideia de abrir um restaurante, algo pequeno, um bistrozinho”.
















