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Professor e marido são condenados a 54 anos de prisão por estuprar alunos surdos em Santa Catarina

Ex-presidente da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul e o marido tiveram penas de 29 anos e 8 meses e de 24 anos e 10 meses. Cinco vítimas foram identificadas e ainda cabe recurso.

Professor e marido são condenados a 54 anos de prisão por estuprar alunos surdos em Santa Catarina
Foto: Reprodução
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A Justiça condenou o professor de Libras Paulo Sérgio Praxedes do Monte Araújo, ex-presidente da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul, e o marido dele, Carlos Francisco Priprá, por abusos sexuais contra crianças e adolescentes surdos no Norte de Santa Catarina. A sentença foi publicada nesta terça-feira (29). Um dos réus recebeu pena de 29 anos e 8 meses de prisão, e o outro, de 24 anos e 10 meses. Somadas, as penas chegam a 54 anos e 6 meses. As informações divulgadas sobre a decisão não especificam qual pena coube a cada um.

Ainda cabe recurso, mas os dois continuam presos em regime fechado. Eles estão detidos desde a noite de 30 de abril, quando a Polícia Civil cumpriu os mandados de prisão preventiva no bairro Czerniewicz. Na audiência de custódia, feita de forma virtual em 1º de maio, a Justiça manteve as prisões.

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A advogada Sandra Rissato, que representou uma das vítimas no processo, disse à Rádio 105 que os abusos teriam ocorrido ao longo de um período extenso, entre 2010 e 2025. Na época das prisões, a investigação apontava relatos desde pelo menos 2008, e o delegado Augusto Brandão falava em cerca de nove anos de abusos dentro da instituição.

Cinco vítimas foram identificadas, todas surdas. Quatro prestaram depoimento à Polícia Civil com intérpretes de Libras. A quinta não compareceu à delegacia. “Uma vítima não teve coragem de comparecer, uma vez que essas pessoas exerciam intimidação e faziam chantagem emocional contra as vítimas”, afirmou o delegado em maio.

Segundo a investigação, os dois usavam a posição que tinham na comunidade surda para escolher e abordar as vítimas. Paulo presidia a associação, dava aulas de Libras em escolas municipais e estaduais e era coordenador regional da pastoral de surdos da Igreja Católica, o que lhe dava acesso a jovens e adolescentes em retiros e acampamentos em várias cidades catarinenses. Famílias confiavam no casal a ponto de deixar os filhos frequentarem a casa dele.

Os abusos teriam ocorrido na escola, em retiros e eventos da pastoral, no carro do casal e na residência dos dois. Uma das vítimas relatou ter sido abusada aos 12 anos, no banheiro da escola municipal onde Paulo trabalhava. Outra contou que foi abusada aos 15 anos, durante um retiro da pastoral. Em 2016, num evento da pastoral em Caçador, vítimas teriam sido isoladas em salas e banheiros. Para evitar denúncias, os dois usavam ameaças, chantagem emocional e isolamento, além de oferecer dinheiro às vítimas.

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As vítimas disseram à polícia que não denunciaram na época porque não entendiam que aquilo era crime, e também por vergonha e medo. De acordo com a investigação, a barreira de comunicação imposta pela surdez aumentava a vulnerabilidade delas.

Logo depois de uma das vítimas depor, um dos investigados ligou para ela por vídeo e pediu desculpas. “Logo após a gente terminar o depoimento de uma das vítimas aqui, um dos investigados fez uma ligação por vídeo, dizendo que o que ele fez é errado e pedindo desculpas, ou seja, confessava aquilo que ele tinha feito”, relatou o delegado Augusto Brandão.

A investigação ficou a cargo da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Jaraguá do Sul e começou em 2025, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina. Havia denúncias anteriores contra os dois desde pelo menos 2016, incluindo um boletim de ocorrência registrado em Concórdia.

Depois das prisões, a Associação de Surdos de Jaraguá do Sul divulgou uma nota de repúdio. O vice-presidente da entidade, Douglas Ramos, afirmou que a associação repudia “todo e qualquer tipo de abuso” e classificou os fatos como violência grave.

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O espaço está aberto para manifestação da defesa dos condenados.

Leia também: Professor de Libras e marido são presos por estuprar alunos surdos em SC desde 2008

Leia também: Suspeito de abusar de pessoas surdas liga para vítima e admite crime após depoimento em SC

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