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Do desafio à glória mundial: a história do manezinho que se tornou campeão de parasurf na Califórnia

Luciano Silveira, o Nem, tem sequela de poliomielite na perna direita e venceu as três etapas do circuito mundial de surf adaptado, na Austrália, no Havaí e na Califórnia

Do desafio à glória mundial: a história do manezinho que se tornou campeão de parasurf na Califórnia
Foto: Reprodução
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O surfista manezinho Luciano Silveira, conhecido como Nem, conquistou em setembro o título mundial do circuito profissional de surf adaptado. Foram três etapas, na Austrália, no Havaí e na Califórnia, e ele venceu as três. “Aí, com essas três, somei e fui campeão do circuito profissional de surf adaptado em 2026”, contou ao Jornal Razão.

Por trás do título existe uma trajetória de superação. Nascido em uma família tradicional de Florianópolis, em que o pai teve 12 filhos, Luciano tem sequela de poliomielite na perna direita. Ele diz não saber se foi uma reação à vacina ou se não chegou a ser vacinado. A doença atingiu a musculatura, a movimentação e os tendões, e hoje ele conta ter de 10% a 15% de mobilidade na perna.

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“Nunca me impediu de fazer nada, pelo contrário. Só me deu força e garra para chegar até onde eu cheguei”, afirmou o atleta.

Cinco anos para ficar em pé na prancha

O surf entrou na vida dele aos 16 anos, escondido do pai e da mãe. “Era um fruto proibido, e isso virou um desejo enorme de ficar em pé em cima da prancha”, lembrou.

O começo foi difícil, e ele faz questão de dizer que não foi por causa da deficiência. “No começo, nada é fácil para ninguém. Não vou dizer que é porque eu sou deficiente. Para todo mundo, a dificuldade é igual.” Foram cinco anos de tentativa até conseguir se equilibrar sobre a prancha. “Foi trabalho árduo, querer muito. E depois que eu fiquei em pé, foi o divisor de águas”, disse. “Ficar em pé na prancha, deslizar numa onda. Isso aí não tem preço, cara. Quem surfa sabe.”

Títulos em sequência

O título de 2026 não é o primeiro da carreira. Segundo o próprio atleta, ele foi campeão mundial e campeão brasileiro em 2024 e, em 2025, voltou a ser campeão mundial, desta vez pela ISA, e campeão brasileiro.

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Na entrevista, Nem agradeceu aos apoiadores, “que sempre na hora H dão uma força”, e deixou um recado para quem está desanimado. “Acreditem nos seus sonhos. A pessoa que às vezes está deprimida, meio baixo-astral, levanta do sofá e corre atrás, porque é para todos, o caminho abre para todos. É difícil para todo mundo, não é fácil para ninguém. Planta a sementinha da coragem, da força, e Deus ajuda.”

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/esporte/manezinho-campeao-mundial-parasurf-california

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