Foi ao passar por uma rua inteira de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, e não enxergar uma única luz acesa que uma jovem carioca percebeu que tinha trocado de mundo. No Rio de Janeiro, onde nasceu, a lâmpada da varanda ligada é estratégia de segurança. Em Jaraguá, ela descobriu, é o contrário: casa iluminada por fora chama atenção, e quase ninguém faz isso.
A observação virou vídeo, e o vídeo viralizou. Nele, a jovem enumera o que aprendeu depois de se mudar do Rio para o Norte catarinense, num relato que mistura espanto, humor e uma boa dose de comparação entre as duas realidades.
“Diferente do Rio, aqui quando você passa na rua, parece que não tem ninguém em casa. Por quê? Porque eles ficam com as luzes apagadas”, diz ela no vídeo. E explica a lógica carioca que trouxe na bagagem: lá, deixa-se tudo aceso justamente para o assaltante achar que a casa está ocupada. “Aqui não. Aqui fica tudo apagado. Ninguém deixa nenhuma luz acesa. Varanda, garagem, quintal, não tem.”
O detalhe que mais a assustou foi a soma dessa escuridão com outra característica da região: a ausência de muros. “Como assim você não tem muro na sua casa e você deixa tudo apagado? Se o bandido pula dentro da sua casa, como é que tu vai saber?”, questiona.
A terceira peça do quebra-cabeça é o comportamento das pessoas na rua. “Aqui ninguém anda em estado de alerta. Tipo, olhando pros lados pra ver se tem alguém pra te roubar a qualquer momento, passar correndo, pegar seu telefone e levar embora”, compara.
Carro, emprego e Havan
Da segurança, o relato passa para a rotina prática. A jovem se diz impressionada com a frota: segundo ela, praticamente todo mundo tem carro, moto elétrica ou bicicleta elétrica, e o transporte coletivo ocupa um espaço bem menor do que no Rio. “Aqui não tem van. Mal tem ônibus”, afirma. Quem circula a pé, na leitura dela, é logo identificado. “Se você não tem, o pessoal sabe que você veio de fora.”
Tu só não trabalha se tu não quiser. Se você não quiser trabalhar, se você não quiser estudar, você não vai.
O trecho sobre trabalho e estudo foi o que mais repercutiu. Ela cita a oferta de vagas em cursos técnicos e em instituições federais como parte do que a surpreendeu na chegada ao estado.
Também chamou a atenção dela o jeito de conviver. Nada de cadeira na calçada e conversa com os vizinhos até o fim da tarde. “Aqui ninguém fala muito com ninguém. Cada um vive na sua”, resume.
E há o capítulo Havan. A jovem conta que entrou pela primeira vez em uma unidade da rede catarinense e ficou desconcertada com o tamanho. “Falei: meu Deus, o que que é isso? É um shopping? Não, é uma loja de departamento”, diverte-se, antes de brincar com o quanto já gastou por lá desde que chegou, numa referência bem-humorada ao empresário Luciano Hang, dono da rede.
O último choque é gastronômico: para ela, os aplicativos de entrega saem bem mais caros do que está acostumada, e as promoções de combo que via no Rio simplesmente não aparecem no cardápio. “Ou você vai até o estabelecimento comer, ou você não come.”
A discussão nos comentários
A repercussão dividiu o público. Um comentário lembrou que ela esqueceu de citar outro costume local: “Sou carioca, deixou de falar da faixa de pedestres. Os carros param pra tu atravessar.” Outro brincou com o risco de propaganda demais: “Não pode fazer divulgação assim, menina, se não acaba o sossego.”
Houve contraponto também. Um seguidor ponderou que a ausência de muro é mais comum no interior do que nas cidades grandes do estado. “Cidades maiores com grande fluxo de pessoas de fora têm muros iguais”, escreveu. Outro discordou da parte das luzes, e um terceiro rebateu a ideia de que não existe fofoca por aqui: “Aqui não tem fofoca, mas tem uma coisa chamada Vigilantes da Rua, ou Vizinhança Solidária, o que dá na mesma.”
Do outro lado, muita gente se reconheceu. Uma seguidora contou que fez o mesmo caminho, de Niterói para Blumenau, quase dois anos atrás, e que a descrição bate. Outra confirmou o retrato de Jaraguá: “Aqui é tudo sem muro mesmo, ou muro bem baixinho.”
Nos comentários, a própria autora do vídeo respondeu ao alvoroço dizendo estar admirada com o estado e que não pretende ir embora. Ela também avisou que a lista não acabou e pediu sugestões de novas diferenças para uma segunda parte, que promete gravar em seguida.












































