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Assalto milionário com viatura: operação contra investigador da Polícia Civil tem prisão em Florianópolis

O investigador Marcelo Henrique Sobral, de 51 anos, foi preso em Boa Vista, e Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33, apontado como operador financeiro do grupo, caiu em um condomínio no Norte da Ilha. Segundo a Polícia Civil, o grupo levou 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em um único roubo.

Assalto milionário com viatura: operação contra investigador da Polícia Civil tem prisão em Florianópolis
Foto: Reprodução
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Uma viatura da Polícia Civil parou na frente de uma casa de alto padrão dentro de um condomínio no Norte da Ilha, em Florianópolis, na manhã desta sexta-feira (21). Na garagem estava um carro importado. Dentro da casa, os policiais prenderam Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33 anos, apontado pela investigação como o homem que cuidava do dinheiro de um grupo criminoso que agia no extremo norte do país. E o caso que levou até aquela porta começou justamente com outra viatura da Polícia Civil, essa em Roraima, usada para simular uma diligência e roubar 30 quilos de ouro.

A prisão na Capital foi uma das quatro cumpridas ao mesmo tempo em Santa Catarina e em Roraima. Ao todo, a operação executou quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão. Em Florianópolis, quem cumpriu as ordens foi a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil de Santa Catarina, a DRACO/DEIC, em apoio à investigação conduzida pela Polícia Civil de Roraima. Além de Guimarães, os agentes apreenderam celulares, computadores e um veículo de luxo, uma Mercedes-Benz avaliada em mais de R$ 320 mil, segundo a imprensa roraimense.

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A Mercedes-Benz apreendida na casa do suspeito foi levada para a sede do DEIC, em Florianópolis. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Em Boa Vista, o alvo principal era da própria corporação. O investigador da Polícia Civil de Roraima Marcelo Henrique Sobral, de 51 anos, foi preso suspeito de integrar o grupo. Também foram detidas uma cunhada dele, de 41 anos, e um homem de 35. Somados, os roubos atribuídos ao grupo ultrapassam R$ 23 milhões.

A viatura entregou o grupo

A apuração começou em janeiro deste ano, na Corregedoria-Geral de Polícia de Roraima, a Corregepol, depois de uma denúncia de roubo. Durante as diligências, os agentes descobriram que uma viatura oficial da própria Polícia Civil estava sendo usada na prática dos crimes. O rastreamento do veículo levou até o investigador, apontado como participante de pelo menos dois roubos, em janeiro e em março. Diante do que apareceu, a Corregepol pediu à Delegacia-Geral a criação de uma força-tarefa, com a entrada da DRACO.

O episódio mais grave é o de 29 de março, no bairro Caçari, em Boa Vista. Conforme os elementos reunidos, os suspeitos teriam planejado uma falsa abordagem policial para chegar até as vítimas. Usaram uma viatura oficial descaracterizada, armas, distintivos e roupas parecidas com as da Polícia Civil para simular uma diligência, renderam quem estava no local e levaram cerca de R$ 800 mil em espécie e aproximadamente 30 quilos de ouro. Em tese, os fatos podem configurar roubo majorado, associação criminosa armada e lavagem de dinheiro.

Equipes da Polícia Civil de Roraima durante o cumprimento dos mandados em Boa Vista. Foto: PCRR/Divulgação

Registros da imprensa de Roraima mostram que, cinco dias antes desse roubo, um agente da Polícia Civil identificado como Marcelo Sobral, lotado na delegacia estadual que reprime roubos e furtos de veículos, conduziu a recuperação de um Fiat Uno furtado em Boa Vista. A Polícia Civil de Roraima não informou a lotação do investigador preso nesta sexta, e o Jornal Razão busca confirmação de que se trata do mesmo servidor.

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O celular danificado

Durante o cumprimento de um dos mandados de busca, o investigador acabou autuado em flagrante por fraude processual. Segundo a Polícia Civil, ele danificou o próprio aparelho de celular no meio da ação policial. A Corregepol arbitrou fiança, o valor não foi pago e ele permaneceu à disposição da Justiça.

A pedido da polícia, o Judiciário determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões em bens e valores ligados aos investigados, medida que, segundo as autoridades, busca preservar o patrimônio que pode ter origem nos crimes. A Polícia Civil de Santa Catarina informou que a ordem de sequestro de imóveis e valores em desfavor dos investigados chega a R$ 20 milhões.

Agentes da DRACO e do Grupo de Resposta Tática em um dos endereços alvo da operação. Foto: PCRR/Divulgação

O dinheiro terminava em Santa Catarina

Guimarães é apontado como operador financeiro do grupo. Pela investigação, cabia a ele coordenar o esquema montado para lavar os valores obtidos com os roubos, o que explica a distância entre o crime e a prisão: o ouro e o dinheiro saíam de Boa Vista, e a estrutura para dar aparência legal a esse patrimônio operava a partir da capital catarinense. Ele foi encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanece à disposição da Justiça.

A operação foi conduzida pela Polícia Civil de Roraima, por meio da Corregepol e da DRACO, com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, o Gaeco, e do Controle Externo da Atividade Policial.

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A delegada-geral da Polícia Civil de Roraima, Simone Arruda, afirmou que a instituição não faz distinção ao apurar condutas criminosas e informou que procedimentos administrativos disciplinares já foram instaurados contra o servidor, com garantia de contraditório e ampla defesa. As investigações seguem sob sigilo para identificar novos desdobramentos e eventuais coautores. A defesa do investigador não foi localizada até a publicação desta reportagem.

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