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Lobisomem, caixão boiando no mar e espírito de capa preta: as crendices de Governador Celso Ramos

Moradores da Armação da Piedade contam histórias de bicho no muro do cemitério, caixão que vira folha de bananeira e parente morto que aparece na porta de casa

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Lobisomem, caixão boiando no mar e espírito de capa preta: as crendices de Governador Celso Ramos
Foto: Reprodução
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Moradores da Armação da Piedade, em Governador Celso Ramos, guardam histórias de lobisomem, de caixão que aparece na estrada e no mar e de espírito de capa preta. São crendices contadas de geração em geração na comunidade, e quem conta diz ter visto de perto.

A Praia da Armação da Piedade é conhecida pela natureza e recebe muitos turistas na temporada. Mas o lugar também é lembrado pelas histórias, mistérios e crendices antigas que perduram até hoje.

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Um morador ouvido pelo Jornal Razão em frente à igreja da Armação resume assim: “Todo mundo sabe que a Armação da Piedade é um lugar muito bonito, mas não sabe que por trás de toda essa beleza há algo muito tenebroso”. Ele lembra que, antigamente, escravos trabalhavam ali e eram muito sofridos.

Segundo o morador, um homem que bebia costumava sentar no cruzeiro em frente à igreja. Numa noite, por volta das seis da tarde, ele olhou para trás e viu um bicho correndo de um lado para o outro no muro do cemitério. Tremendo, o homem tentava correr para avisar alguém e não conseguia. Quando contou, as pessoas disseram que era um guaxinim. Ele insistia: “Não, aquele bicho é um lobisomem, ele é muito grande”. O olho do bicho, dizia, era “grande e bem vermelho”.

Morador em frente ao cruzeiro da igreja da Armação da Piedade, em Governador Celso Ramos

Dona Anália conta que o sogro precisou ir até a Armação da Piedade à noite, numa época em que o lugar não tinha luz elétrica nem água encanada. No morro, ele viu um caixão no meio da estrada. Quando tentava passar, o caixão levantava. O sogro voltou para casa e disse à mulher: “Voltei porque o caixão não deixou eu passar”. Teimoso, foi de novo até o local. Com a lua clara, viu que o caixão era uma folha de bananeira verde.

Dona Anália também conta que um cunhado, que morreu pescando nas pedras, apareceu na porta da casa dela cerca de uma semana depois. “Quando eu abri a porta, ele tava em pé assim”, lembra. De chapéu, ele se debruçou na porta e conversou com ela como se estivesse vivo. “Mas ele é morto, como é que ele tá conversando comigo?”, pensou na hora. Quando olhou de novo, ele não estava mais lá.

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Uma filha de dona Anália conta que o marido, pescador de tarrafa, foi pescar à noite e, perto de uma pedra, viu “uma coisa enorme, um monstro, uma coisa feia”. O cachorro que estava com ele latia sem parar e não deixava o pescador seguir. A sombra acompanhou o homem até o muro do cemitério e sumiu ali. “Ninguém sabe até hoje que mistério é esse”, diz.

Outra moradora, que preferiu não aparecer, conta que no dia em que um homem morreu no mar foi caminhar na praia por volta das 18h. Sentada numa pedra com uma amiga, viu um caixão flutuando na água. Quando ela se aproximava, a mancha ia para o fundo; quando voltava, ela vinha até a perna dela. Por volta das 21h, dona Anália e a nora dizem ter visto o mesmo caixão na praia.

Anos depois, a mesma moradora diz que viu, do quarto, um espírito “todo de capa preta” espiando na porta. Ela conta que rezou e entendeu que era o “espírito da morte”. Meses depois, o irmão dela morreu.

Para os moradores, as histórias têm ligação com o passado da Armação, lugar de caça de baleia e de trabalho escravo. As ilustrações do vídeo foram feitas com inteligência artificial.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/geral/crendices-armacao-da-piedade-governador-celso-ramos

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