Reeleito neste domingo (25) para o quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tem nomes cotados para a Esplanada dos Ministérios. Segundo informações que circulam nos bastidores políticos, o senador Camilo Santana (PT-CE) é o favorito para a Casa Civil, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) aparece forte para o Ministério da Fazenda.
Não há anúncio oficial. Lula toma posse em 5 de janeiro de 2027 e, segundo aliados, pretende montar a equipe sem pressa, enquanto negocia espaço com o PT, os partidos aliados e o Centrão, diante de um Congresso em que a direita terá as maiores bancadas.
Ex-ministro da Educação e líder do PT no Senado, Camilo assumiu a linha de frente da campanha depois do 1º turno, quando Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Ele tem mandato de senador até 2031 e não disputou a eleição deste ano.





Alckmin foi reeleito vice na chapa de Lula. Depois do 1º turno, o presidente chegou a avaliar anunciar o nome dele para a Fazenda, como aceno ao mercado financeiro. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito com 70,9% dos votos, também era citado para a pasta, mas disse nesta segunda-feira (26) que nunca cogitou deixar o governo do estado. “Isso não passa pela minha cabeça”, afirmou.
Dono do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, o deputado federal André Janones (Rede-MG), reeleito por Minas Gerais, é cotado para uma Secretaria Especial de Comunicação Digital, com status de ministério, que ainda seria criada. O nome dele também aparece para a Secom e para a Secretaria-Geral. O PT ainda pretende convidar o parlamentar para se filiar ao partido.
Para as Relações Institucionais, responsáveis pela articulação com o Congresso, aliados defendem um nome do Centrão. O ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), eleito deputado federal, é citado. O senador eleito Helder Barbalho (MDB-PA) aparece para o Ministério das Cidades, pasta que foi comandada pelo irmão dele, Jader Filho, no terceiro mandato.
Derrotados nas urnas também estão na lista. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que perdeu a disputa pelo governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos) no 1º turno, deve voltar a Brasília. Auxiliares citam o nome dele para o Ministério da Segurança Pública, que Lula promete criar, mas governistas dizem que ele não teria interesse.
Presidente nacional do PSB, João Campos perdeu o governo de Pernambuco para Raquel Lyra (PSD) e é cotado para Ciência e Tecnologia, pasta que foi comandada pelo pai dele, Eduardo Campos, no primeiro governo Lula.
Segundo aliados, ex-ministros que deixaram o governo para disputar a eleição e perderam devem ganhar espaço na Esplanada. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputaram o Senado por São Paulo e ficaram em 4º e 3º lugar. As duas podem voltar ao Meio Ambiente e ao Planejamento, pastas que comandavam. Em julho, Tebet disse que não tinha interesse em voltar a ser ministra: “Eu já ocupei essa missão”.
Ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann ficou em 4º lugar na disputa pelo Senado no Paraná. Ela já comandou a Casa Civil, no governo Dilma, e as Relações Institucionais, no atual mandato. Márcio França (PSB), vice na chapa derrotada de Haddad em São Paulo, comandou Portos e Aeroportos e o Empreendedorismo. Pelo histórico, Gleisi pode voltar ao núcleo político do Planalto, como a Secretaria-Geral, e França a uma das pastas que já ocupou.
As definições dependem das negociações do presidente com o PT e os partidos aliados. Antes de fechar a equipe, Lula também avalia o efeito de tirar senadores do Congresso para ocupar ministérios.
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