Uma empreendedora nordestina que vende empadas em Itajaí, no Litoral de Santa Catarina, gravou dois vídeos para responder aos ataques que recebeu nas redes sociais depois de elogiar o estado onde vive há quase 11 anos. Num deles, ela rebate uma pergunta anônima que a acusava de ter saído do Nordeste para pagar aluguel a catarinenses.
A provocação chegou pela caixinha de perguntas do Instagram, em letras pretas sobre fundo branco: “Saiu do nordeste pra pagar aluguel para os catarinenses”, seguida de um emoji de deboche. A resposta veio no mesmo dia, gravada dentro da cozinha onde ela produz as empadas, de touca e jaqueta de trabalho.
“Pronto, que já começou a palhaçada”, ela diz, olhando para a câmera. “Mas eu faço parte do MST? Eu faço parte dos sem-terra? Pra me negar a pagar aluguel?”

Na sequência, ela explícita a lógica que considera óbvia: “Quem não tem casa própria, que trabalha honestamente, que é trabalhador, tem que pagar aluguel. Porque é assim que as coisas funcionam”. E lembra que a conta não mudou de endereço quando ela desceu para o Sul.
“Porque eu lá na Paraíba eu pagava aluguel. Aí eu cheguei aqui em Santa Catarina, não vou pagar aluguel mais? Eu tenho que invadir as propriedades, me negar a sair, ou usar os meus filhos como escudo?”, questiona.
No fim do vídeo, ela devolve a provocação para quem a enviou. “Quantos imóveis você tem? Porque se você não tem nada, cala a boca. A gente paga aluguel. Rala pra um dia a gente ter o da gente própria”, diz. E emenda uma pergunta que atravessa os dois vídeos: “Que despeito é esse de vocês com os catarinenses?”
“Nunca sofri nada em quase 11 anos”
O segundo vídeo responde a outro tipo de ataque. Depois de publicar um conteúdo elogiando Santa Catarina, ela recebeu um comentário público que a chamava de “fascista, capitã do mato, xenofóbica e todas óbicas possíveis”. O print do comentário aparece na tela enquanto ela fala, em frente à casa onde mora.
“Quer dizer que eu sou negra, eu sou nordestina, moro em Santa Catarina, mas eu não posso elogiar aqui, senão chega os mimizetos de plantão?”, rebate. Ela afirma reconhecer o discurso e o endereço político de quem a ataca, sem citar sigla: “Eu não preciso dizer nem qual partido das trevas vocês são”.
A empreendedora acusa os críticos de repetirem termos que não compreendem. “Vocês não sabem nenhum significado das palavras”, diz. E encerra o vídeo com uma declaração direta ao estado: “Eu amo Santa Catarina, eu amo os catarinenses. Nunca sofri nada em quase 11 anos que eu moro aqui”.
Natural da Paraíba, ela vive em Santa Catarina há cerca de 11 anos e se apresenta nas redes como mãe solo e empreendedora. O negócio é a produção e a venda de empadas em Itajaí, com pedidos feitos pelo WhatsApp, e boa parte do conteúdo que publica mostra a rotina dentro da cozinha, o passo a passo das receitas e a vida de quem migrou do Nordeste para o Litoral catarinense.
O episódio expõe um atrito recorrente nos comentários de perfis de nordestinos que vivem em Santa Catarina: a hostilidade dirigida a quem mudou de estado para trabalhar, mesmo quando o conteúdo publicado é elogioso ao lugar onde vive. No caso dela, o ataque veio nos dois sentidos — de quem a acusa de xenofobia por elogiar o estado e de quem a acusa de tomar espaço dos catarinenses por morar de aluguel.
Os dois vídeos seguem publicados no perfil da empreendedora, que continua respondendo às perguntas enviadas pelos seguidores enquanto trabalha.














