Um Porsche cinza está entalado no meio de uma escadaria do Morro da Caixa, na região central de Florianópolis, e até agora ninguém voltou para buscar o veículo. O carro ficou preso entre um muro de concreto de um lado e uma cerca de madeira do outro, sobre os degraus de pedra, sem espaço para manobra em nenhuma das duas pontas.
Segundo o registro feito no local, o condutor entrou com o carro na escadaria por volta das 2h da manhã. Não houve feridos. O veículo parou na parte mais estreita da passagem, com as rodas travadas nos degraus e as laterais praticamente encostadas nas paredes.
Testemunhas relatam que caíram muitos raios na região naquela madrugada. A explicação corre entre os moradores desde que o carro apareceu ali, mas nenhuma versão oficial sobre o que levou o Porsche até a escadaria foi apresentada até agora.
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A escadaria não é via de acesso para carros. É um caminho de pedestres que liga a parte alta da comunidade à rua abaixo, com degraus irregulares, largura de passagem de uma pessoa e nenhum ponto de retorno em toda a descida. Quem entra ali de carro não tem como fazer a volta.
Pela posição em que ficou, o Porsche só sai de duas formas: de ré, subindo os degraus até a rua de onde veio, ou içado por equipamento pesado. Nenhuma das duas é simples num morro onde não entra caminhão e não há espaço de manobra para um guincho convencional.
Do guarda-chuva à lona preta
Nas primeiras horas depois do episódio, o carro apareceu com um guarda-chuva vermelho aberto sobre o teto, escorado no vidro dianteiro. Com a chuva que caiu na capital, o improviso foi trocado: o veículo passou a ser coberto por uma lona plástica preta, jogada por cima da carroceria e amarrada nas laterais. A traseira ficou de fora, exposta na escadaria.
A cena virou ponto de parada no morro. De cima da escadaria, dá para ver o carro coberto e, ao fundo, o skyline de prédios do Centro de Florianópolis. O contraste entre um esportivo alemão e a escadaria de pedra da comunidade é o que fez o registro correr as redes sociais ao longo da manhã.
O que o carro fazia ali às 2h da manhã
A pergunta que ninguém respondeu até agora é o que o Porsche fazia naquele ponto do morro na madrugada. O Morro da Caixa integra o Maciço do Morro da Cruz, o conjunto de comunidades que cerca a região central da capital e que concentra parte das operações policiais contra o tráfico de drogas em Florianópolis. É uma área de circulação restrita, com ruas estreitas e acessos que terminam justamente em escadarias como essa.
Nenhuma informação sobre a identidade do condutor foi divulgada. Também não há informação divulgada sobre acionamento de órgãos de trânsito ou sobre registro de ocorrência policial ligado ao caso.
Nas redes sociais, a reação foi imediata e majoritariamente de deboche. Comentaristas ironizaram a possibilidade de o motorista ter seguido orientação de GPS, brincaram que a retirada agora só sai de guindaste e apontaram o detalhe que mais chamou atenção: apesar de ter descido degraus de pedra, o carro aparece aparentemente inteiro, sem amassados visíveis na traseira.
O prejuízo, no entanto, tende a ser alto. Além dos danos de rodagem sobre degraus irregulares, existe o custo da retirada, que exige equipamento e mão de obra especializada num ponto sem acesso para veículo pesado.
Até a publicação desta reportagem, o veículo seguia no mesmo lugar, coberto pela lona, no meio da escadaria.














