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Sem “I Kissed a Girl”, formanda chamada três vezes ganha R$ 6 mil na Justiça em Santa Catarina

Vídeo mostra a estudante de 19 anos parada na entrada da festa em São Bento do Sul enquanto o cerimonialista chama o nome dela; empresa culpa o equipamento do DJ

Sem 'I Kissed a Girl', formanda chamada três vezes ganha R$ 6 mil na Justiça em Santa Catarina
Foto: Reprodução
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Uma formanda de 19 anos de São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina, vai receber R$ 6 mil de indenização por danos morais porque a música que ela escolheu para entrar na festa de formatura não tocou. Um vídeo gravado naquela noite mostra a jovem parada no corredor de entrada do salão, de vestido prateado e mãos na cintura, enquanto o cerimonialista anuncia o nome dela e a música não começa.

A canção escolhida era “I Kissed a Girl”, da cantora americana Katy Perry. A estudante do Instituto Federal Catarinense (IFC) foi chamada três vezes diante de um público estimado em mais de mil pessoas, e a música não tocou em nenhuma delas. A formatura foi em 19 de dezembro de 2025.

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A empresa que organizou o evento, a Momento Formaturas, foi condenada pelo Juizado Especial Cível, Criminal e da Fazenda Pública de São Bento do Sul. A decisão foi divulgada em 22 de setembro. Para o juiz, o caso passou de um simples descumprimento de contrato e causou “constrangimento público à formanda”.

A formanda é chamada três vezes e a música não toca (vídeo: arquivo pessoal)

O vídeo foi anexado ao processo. Nele, dá para ouvir o cerimonialista chamando a formanda. Na primeira chamada, ela fica parada no corredor, à espera de uma solução. Em seguida, uma colega é chamada, e a jovem faz gestos de quem não entende o que está acontecendo. O problema se repete na segunda tentativa. Segundo a estudante, não existe gravação do momento em que ela finalmente entrou no salão.

A formanda na entrada do salão, à espera da música (Foto: Arquivo pessoal)

Ela decidiu esperar pela canção. “Eu falei: enquanto a minha música não tocar eu não vou entrar”, contou. Pelo relato dela, na primeira chamada uma funcionária da empresa pediu que aguardasse enquanto tentava resolver o problema, e ela foi afastada da fila. Depois, recebeu a orientação de se preparar porque a música seria tocada. Na segunda chamada, o nome foi anunciado de novo e a música continuou sem tocar. Na terceira, mais uma vez sem a canção, ela foi retirada da fila enquanto os outros formandos seguiam entrando.

“Quando ele falou pela terceira vez, ele estava com um jeito meio irônico, sabe? Tipo, ‘meu, menina, venha logo’”, relatou. Depois disso, uma funcionária teria dito que, se ela não entrasse naquele momento, não entraria mais. A formanda acabou entrando com a música da colega anterior, “Sujeito de Sorte”, e o nome dela não foi anunciado outra vez. “Eu entrei quando ela entrou com ‘Um Sujeito de Sorte’, mas não foi por escolha. Foi porque falaram: se você não entrar agora, você não entra mais”, afirmou.

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A jovem fazia parte da comissão de formatura e era a responsável por enviar à empresa as músicas escolhidas pelos colegas. Antes da vez dela, percebeu que algumas faixas estavam sendo trocadas durante a cerimônia e avisou os funcionários. “Eu comecei a falar para as pessoas da empresa que as músicas das outras pessoas estavam indo trocadas, porque eu não queria que isso acontecesse comigo”, disse.

“I Kissed a Girl”, que em português significa “Eu beijei uma garota”, tinha um significado pessoal para a estudante. “Todo mundo que me conhece sabe que a minha personalidade é traduzida nessa música”, contou. “Eu tenho muito orgulho de ser quem eu sou e não tenho vergonha nenhuma, muito pelo contrário.”

No processo, a empresa alegou que tocar músicas individuais não fazia parte do contrato e era uma cortesia. Também disse que a falha podia estar no arquivo enviado pela estudante, por problema no corte, no download ou na qualidade da faixa, e que foi a própria formanda quem decidiu não entrar enquanto a canção não tocasse.

O juiz rejeitou os argumentos. Entendeu que, ao criar um sistema próprio para receber as músicas, a empresa assumiu o compromisso de tocá-las, e que o serviço, mesmo gratuito, fazia parte da relação de consumo. A organizadora não provou que o problema estava no arquivo, e cabia a ela testar as faixas antes. Sobre a tese de que a jovem escolheu não entrar, o magistrado apontou que a própria versão da empresa mostrava que uma funcionária orientou a formanda a aguardar a música em duas ocasiões, e que ela só foi mandada entrar sem a canção depois da terceira tentativa.

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Na sentença, o juiz afirma que a sequência de chamadas “transmitiu a falsa impressão de atraso ou desleixo da formanda”, quando a demora vinha de uma falha da organização. Segundo a decisão, os vídeos mostram que a estudante “chegou a ser retirada de lado pela própria organização, para que os formandos seguintes pudessem passar e realizar sua entrada normalmente”, e acabou “tratada como obstáculo à continuidade da cerimônia”.

Em nota, a Momento Formaturas afirmou que a falha foi do equipamento do DJ, que foi indicado pela turma, era subcontratado e não faz parte da empresa. “Infelizmente o equipamento do DJ não tocou a música dela, e o DJ, que foi indicado pela turma, não teve a capacidade de contornar a situação”, diz a empresa. A empresa afirma que recebe e confere todas as músicas e as repassa ao DJ uma semana antes, junto com a lista de formandos, para teste.

A estudante decidiu processar a empresa depois da revolta da família, e contou que a mãe ficou especialmente abalada por não ver a entrada da filha como tinha imaginado. Ela disse estar satisfeita com o resultado, mas lembrou que o dinheiro não devolve o momento. “Para mim foi algo muito, muito triste no momento, porque realmente era uma coisa que eu sonhava”, afirmou. Não foi informado se a empresa vai recorrer da decisão.

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