Uma coluna de vento tocou o solo na região de Campo Erê, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, por volta das 19h27 da noite deste domingo (30), e foi flagrada ao vivo por caçadores de tempestades que acompanhavam a passagem de uma célula severa pelo interior do município. As imagens mostram um funil largo e escuro avançando sobre lavouras, com a base do fenômeno se arrastando pelo horizonte.
O registro mais nítido veio do fotógrafo Gregory Fenile, que capturou a formação na área ao sul de Campo Erê e classificou o fenômeno como um tornado do tipo wedge — categoria usada por observadores para descrever tornados cuja base é mais larga do que alta, aparência que costuma indicar circulação de grande porte.
Durante a transmissão ao vivo do caçador de tempestades e astrofotógrafo Gabriel Zaparolli, a equipe em campo descreve o que via naquele instante: um “tornado imenso” cruzando a zona rural. No enquadramento aparecem, lado a lado, a silhueta do funil e a tela da câmera marcando o horário do flagrante.
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O alerta para o risco havia sido dado cerca de meia hora antes. Por volta das 19h30, Zaparolli comunicou a possibilidade de formação de tornado na região de Campo Erê diante das condições atmosféricas observadas em campo. O aviso circulou rapidamente nas redes e foi replicado por perfis de meteorologia do Sul do país antes mesmo de qualquer boletim oficial.
O flagrante aconteceu no fim de uma tarde em que a atmosfera do Oeste catarinense já vinha carregada. Ao longo do domingo, municípios da região registraram chuva de granizo intensa, pedras de gelo de grande porte, rajadas fortes de vento e danos em residências e propriedades rurais. Em São José do Cedro, também no Extremo-Oeste, moradores relataram vento forte e granizo associados à mesma sequência de tempestades.
A elevada quantidade de descargas elétricas foi um dos sinais que chamaram atenção dos observadores durante o acompanhamento. A frequência dos raios costuma indicar correntes ascendentes vigorosas dentro da nuvem — exatamente o tipo de estrutura capaz de sustentar uma circulação tornádica na base.
Neste momento não é possível atribuir uma classificação F2, F3 ou F4 ao fenômeno. A escala Fujita mede a intensidade de um tornado a partir dos estragos que ele deixa, e não pela aparência do funil. A estimativa só poderá ser feita depois da análise técnica dos danos no solo e do cruzamento com os registros disponíveis de radar e vídeo.
Tornados não são raridade em Santa Catarina. O Oeste do estado está na área que meteorologistas apontam como um dos corredores mais favoráveis à formação desse tipo de fenômeno na América do Sul, pela combinação de ar quente e úmido vindo do norte com a chegada de sistemas frios pelo sul. O caso mais grave da história recente catarinense ocorreu em Xanxerê, em 2015.
A recomendação a quem está na trajetória de tempestades severas é buscar abrigo imediatamente em construção resistente, permanecer no cômodo mais interno da casa, longe de janelas, e evitar áreas abertas, árvores, estruturas frágeis e proximidade com a rede elétrica. Ao ouvir trovões, o ideal é procurar local fechado e seguro.
Moradores da região devem acompanhar os comunicados oficiais da Defesa Civil, que emite avisos por município conforme o deslocamento das células. Até a última atualização, não havia balanço consolidado de feridos ou de residências destruídas em Campo Erê.
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As equipes de caçadores seguem em campo acompanhando o avanço da tempestade, que se deslocava em direção ao Sudoeste do Paraná. O Jornal Razão acompanha e atualiza esta reportagem conforme novas informações forem confirmadas.














