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Eleições 2026

Deltan diz que Flávio “não perdeu pras urnas, ele perdeu pro sistema” e defende anular a eleição de Lula

Eleito senador pelo Paraná, Deltan Dallagnol cita o Bolsa Família antecipado, vídeos derrubados pelo TSE e a decisão de Zanin que estendeu a votação até as 19h

2º turnoApuração do 2º turno, domingo às 17hFlávio × Lula voto a voto, no Brasil, em SC, nas 5.570 cidades e no exteriorAcompanhar →
Deltan diz que Flávio “não perdeu pras urnas, ele perdeu pro sistema” e defende anular a eleição de Lula
Foto: Reprodução
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O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador pelo Paraná, publicou nesta segunda-feira (26) um vídeo em que afirma que Flávio Bolsonaro (PL) “não perdeu pras urnas, ele perdeu pro sistema”. Na gravação, de quase 13 minutos, Deltan diz que é “mais do que legítimo contestar o resultado das eleições” e defende ações na Justiça Eleitoral para que a eleição de Lula seja derrubada por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.

Lula (PT) foi reeleito no domingo (25) com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio, 48,21%. A diferença foi de 4,4 milhões de votos. Em Santa Catarina, Flávio venceu com 69,42%, segundo a Justiça Eleitoral de SC.

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Deltan compara a eleição a uma luta de boxe em que um lado dá golpes baixos e o juiz deixa passar. “A vitória do trapaceiro, ela deve ser reconhecida?”, pergunta. Ele lista três golpes.

Dinheiro público na véspera do voto

O primeiro, segundo Deltan, é o uso de dinheiro público. O pacote de medidas anunciado por Lula em 2026 soma R$ 463,8 bilhões, o equivalente a 3,6% do PIB, em levantamento do Poder360. O valor junta créditos, renúncias e despesas, e o economista Marcos Mendes, do Insper, vê motivação eleitoral nos programas. O governo nega.

O Bolsa Família foi reajustado em 15% por decreto de 17 de setembro, com efeito a partir de outubro, e o piso subiu de R$ 600 para R$ 691, segundo a Agência Brasil. Em 19 de outubro, o Ministério do Desenvolvimento Social antecipou os depósitos, que iriam até o dia 31, para 21 de outubro, quatro dias antes do 2º turno. A justificativa foi o “super El Niño”. “Por que um governo que esqueceu o benefício durante quatro anos lembrou dele exatamente na semana da eleição?”, questiona Deltan. Em 13 de outubro, o governo também lançou um pacote para o MEI que perdoa R$ 12,6 bilhões em dívidas e cria um Pix de até R$ 5 mil a fundo perdido; o perdão ainda depende do Congresso.

Vídeos derrubados pelo TSE

O segundo golpe, para Deltan, foi o que ele chama de terrorismo eleitoral: conteúdos que diziam que Flávio acabaria com programas sociais. O ministro André Mendonça, do TSE, deu três horas para a campanha de Lula tirar do ar o vídeo “Se o Flávio vence, você perde”, que falava em corte do Pé-de-Meia e do Farmácia Popular. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou remover um vídeo do perfil da primeira-dama Janja que dizia que Flávio imporia jornada de sete dias por semana, informou a Agência Brasil. Mendonça também mandou derrubar mais de mil publicações que associavam Flávio a um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

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Zanin e o corregedor

O terceiro ponto é o que Deltan chama de abuso de poder judicial. Ele cita o ministro Cristiano Zanin, do STF e ex-advogado de Lula, que no domingo, por volta das 17h, mandou estender a votação até as 19h. O pedido foi da coligação de Lula, por falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas (BA). Depois, Zanin esclareceu que a prorrogação valia só onde as urnas ainda não tinham sido fechadas, e o presidente do TSE orientou as seções abertas a seguir até as 19h, segundo a Agência Brasil. A campanha de Flávio também tinha pedido prorrogação em municípios de SP, PR e SC.

Deltan também compara duas decisões do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. A pedido da coligação de Lula, Cueva deu 24 horas para a Meta e o X explicarem um suposto favorecimento a Flávio, sob multa de R$ 500 mil por dia. Na ação de Flávio contra os disparos do governo pelo Gov.br e pelo WhatsApp oficial, que incluíam mensagem do INSS dizendo que votar valia como prova de vida, o corregedor negou suspender as mensagens por considerá-las informativas, informou a Gazeta do Povo.

“A regra é a mesma, mas o peso que se dá a ela muda conforme o lado”, diz Deltan, ao lembrar que o TSE tornou Jair Bolsonaro inelegível por abuso de poder no 7 de Setembro de 2022 e pela reunião com embaixadores. “E antes que alguém queira dizer que isso é golpismo, isso é algo previsto na legislação”, afirma.

Flávio não reconheceu o resultado e disse no domingo que vai pedir a anulação da eleição. No fim do vídeo, Deltan pergunta aos seguidores: “E você, cê acha que essa luta foi justa?”.

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Fontes: levantamento do Poder360, Agência Brasil e Gazeta do Povo.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/deltan-flavio-nao-perdeu-urnas-perdeu-sistema-anular-eleicao-lula

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