A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) afirmou nesta sexta-feira (30), em vídeo publicado nas redes sociais, que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil foi “uma verdadeira humilhação às autoridades brasileiras”. “Presta atenção nisso aqui que eu vou te falar, porque ninguém está falando sobre isso”, começa a deputada.
No vídeo, Julia mostra o comunicado publicado no site da Polícia Federal e diz que o documento desmente o que vem sendo divulgado sobre a viagem do senador. “A Polícia Federal oficialmente desmente toda a imprensa dizendo que não foi fuga, que ele não está na condição de foragido”, afirma.
A PF informou na quarta-feira (28) que Flávio, no momento, não é considerado foragido da Justiça nem é alvo de mandado de prisão. Segundo a corporação, a restrição aos documentos de viagem não caracteriza a condição de foragido e não autoriza prisão. A PF também admitiu que não há registro oficial da saída do senador por nenhum posto de imigração do país.
“Julgado pelo seu inimigo”
A deputada lembra a pressa do pedido contra o senador. A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares contra Flávio na própria noite do segundo turno, no domingo (25), e o ministro Alexandre de Moraes cancelou os passaportes, mandou incluir o nome dele no alerta migratório e o proibiu de deixar o país. Segundo Julia, o pedido saiu “sete minutos depois do fim da eleição”.
Para a deputada, Flávio não ia ficar no Brasil “esperando pra ser julgado pelo seu inimigo”. “Não vamos esquecer que quem decidiu sobre a apreensão do passaporte de Flávio foi justamente o ministro Moraes, aquele que Flávio prometeu tirar do cargo se ganhasse a eleição”, disse.
Julia também questiona a falta de explicação sobre a saída. “O mesmo estado poderoso que levou apenas sete minutos pra pedir o passaporte de Flávio, até agora não sabe explicar ao certo como se deu a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil”, afirmou.
Na terça-feira (27), às 22h50, Flávio cruzou a ponte de Foz do Iguaçu para a Argentina com a mulher, Fernanda, e as duas filhas. De lá, a família seguiu num jatinho, passou pelo Equador e desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). A cronologia, hora a hora, mostra o caminho do senador desde a derrota nas urnas.

“Foi um baile, passaram vergonha”
A deputada diz ainda que a decisão de Moraes, logo depois da vitória de Lula (PT), tirou o protagonismo do presidente eleito e incomodou membros do próprio governo. Segundo Julia, até advogados de direito penal que votaram em Lula, como Aury Lopes Júnior, já disseram que o ministro “extrapolou todos os limites”.
Para quem diz que Flávio fugiu, ela devolve com uma pergunta: “Você ficaria aqui pra ser julgado por um inimigo que não tem qualquer imparcialidade?”. E compara com o pai do senador: “O Bolsonaro ficou pra ver e o que aconteceu? Está preso hoje, mesmo sem ter cometido crime algum”.
“Alguém que concorreu com o Lula tem que sair do país, driblar as autoridades, que foi um baile, né? Foi um baile, passaram vergonha”, resume a deputada. “Essa é a democracia brasileira. Sejam bem-vindos.”
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