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Eleições 2026

“É inegociável”: liderança do PL descarta acordo com Moraes mesmo após decisões a favor de bolsonaristas

Decisões de Moraes e Gilmar vieram a público nos dois dias seguintes à eleição; duas foram assinadas antes do voto, a pedido da PGR

“É inegociável”: liderança do PL descarta acordo com Moraes mesmo após decisões a favor de bolsonaristas
Foto: Reprodução
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Nenhum dos lados confirma acordo entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado eleito no domingo (4). A leitura tomou as redes depois de uma sequência de decisões de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes que beneficiaram nomes ligados ao bolsonarismo. Lideranças do PL, porém, dizem que o impeachment de Moraes continua de pé.

“Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável”, disse o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nesta terça-feira (6) ao colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, em declaração publicada nesta terça.

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A fala veio horas depois de se tornar pública a decisão em que Moraes autorizou o regime semiaberto para Débora Rodrigues dos Santos, a “Débora do Batom”, condenada a 14 anos pelos atos de 8 de janeiro. Ela continua em prisão domiciliar. Na noite da eleição, Nikolas já havia dito a jornalistas que “a pauta número um do Senado é impeachment do Alexandre de Moraes”.

O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) foi na mesma linha em vídeo divulgado depois da eleição e reproduzido pela rádio Itatiaia. “O Moraes vai cair, o Alexandre de Moraes não vai ficar no STF, não existe essa possibilidade”, afirmou. “Qualquer outra coisa, poderemos sentar e conversar e analisar um caminho pra vivermos institucionalmente em harmonia. Mas o Alexandre de Moraes não fica.” Segundo Gayer, “esses senadores eleitos pelo PL foram eleitos pra isso”.

Gilmar Mendes (ao fundo) e Alexandre de Moraes em sessão do STF, em fevereiro. Foto: STF

Valdemar e Marinho adotam outro tom

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, evitou defender o impeachment. “Quem vai decidir isso são os nossos senadores”, disse em entrevista à CNN Brasil na segunda-feira (5). “Eles têm independência e eles vão discutir esse assunto, e eu tenho certeza que vão discutir pra fazer o que for melhor para o país.” No mesmo dia, à GloboNews, afirmou que “não podemos é pôr fogo no país”.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, se reuniu na terça (6) com o presidente do STF, Edson Fachin. “Não temos vindita, nem vingança”, disse a jornalistas depois do encontro. “Se crimes de responsabilidade forem cometidos, é evidente que eles têm que ser investigados. Ninguém tá acima da lei.” Ele afirmou ainda que “o Senado não será omisso”.

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O que as datas mostram

As duas decisões de Moraes que circularam como sinal de acordo foram assinadas antes da votação e só vieram a público depois. A progressão de Débora foi pedida pela defesa em 11 de setembro, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 22 e foi assinada em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno.

O arquivamento do inquérito contra Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e o senador Marcos do Val é de setembro, também a pedido da PGR, e foi noticiado na segunda-feira (5).

Já depois da eleição, nesta terça (6), o ministro Gilmar Mendes arquivou um pedido de investigação contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A PGR havia informado que não via elementos para abrir inquérito.

Ala do STF busca diálogo

Segundo os analistas Jussara Soares e Caio Junqueira, da CNN Brasil, em reportagem publicada nesta terça, um grupo de ministros defende buscar entendimento com setores do bolsonarismo diante do risco de impeachment, e Marinho procurou os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Ainda segundo a CNN, o PL rejeita qualquer acordo que poupe Moraes. Não há registro de proposta formal.

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A conta dos votos

Para afastar um ministro são necessários 54 dos 81 votos do Senado. Levantamento do Metrópoles aponta 49 senadores favoráveis ao impeachment a partir de 2027, entre eles os catarinenses Carol De Toni, Carlos Bolsonaro e Jorge Seif, todos do PL. Faltariam cinco.

Uma liminar de Gilmar Mendes, de dezembro de 2025, passou a exigir os mesmos 54 votos já para abrir o processo. A decisão ainda não foi referendada pelo plenário do STF.

Fotos da capa: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Rosinei Coutinho/STF

Fontes: CNN Brasil e coluna de Igor Gadelha, no portal Metrópoles.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/lideranca-pl-descarta-acordo-moraes-inegociavel-decisoes-stf-bolsonaristas

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