O empresário Luciano Hang, dono da Havan, respondeu ao sindicalista que pendurou uma bandeira com os dizeres “Pelo fim da escala 6×1” e “Lula tetra” na réplica da Estátua da Liberdade da loja de Criciúma, no Sul de Santa Catarina. “Vá pra Cuba que te pariu”, escreveu ele no início da tarde deste sábado (3), véspera do primeiro turno das eleições.
A resposta saiu do perfil pessoal de Hang no Instagram, em comentário na publicação do Jornal Razão que mostra o presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, Djonatan Elias, assumindo o protesto. O comentário, na íntegra: “Vagabundo que não gosta de trabalhar e vive as custas de quem trabalha e pensa que todo mundo é igual a ele. Vá pra Cuba que te pariu. Você não respeita propriedade privada. Isso é crime.”
O empresário não cita o nome do sindicalista nem diz se pretende tomar alguma medida. Nas respostas, seguidores pediram que ele processe o autor do protesto. Até a publicação das duas reportagens anteriores do Jornal Razão sobre o caso, nem Hang nem a Havan haviam se manifestado.
O protesto na estátua
Na manhã deste sábado, a bandeira em fundo verde e amarelo, com letras vermelhas, foi estendida em uma das faces do pedestal da estátua, na Avenida Centenário. Dois homens subiram na base do monumento com uma escada. A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) esteve no local, e a bandeira foi baixada.

Djonatan Elias assumiu a ação em um vídeo gravado na frente da loja, com uma camiseta vermelha com a frase “Fim da escala 6×1”. Ele diz que o grupo fez “um protesto ao nível do seu Luciano Hang, da Lojas Havan”, que, segundo ele, “lucra bilhões em cima da exploração alheia, do trabalhador e da trabalhadora”. No fim, repete duas vezes: “Vamo acabar com essa escala vagabunda”.
Ao lado de policiais militares, um homem questionou a falta de autorização para subir no monumento. O sindicalista respondeu: “Mas é minha liberdade, eu faço o que eu quero”. Não há informação sobre registro de ocorrência.

Hang e a escala 6×1
Hang já havia criticado a proposta. Em 29 de agosto, durante a inauguração de uma loja em Caldas Novas (GO), ele chamou o fim da escala 6×1 de “estelionato eleitoral”, segundo o ND+.
Em 23 de setembro, a Justiça do Trabalho em Goiás atendeu a um pedido do Ministério Público do Trabalho e proibiu o empresário de fazer manifestação político-eleitoral nas lojas e nos canais da Havan, com multa de R$ 50 mil por evento. A decisão é liminar. O comentário deste sábado foi feito no perfil pessoal dele e não cita candidato.
O fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga é uma das bandeiras da campanha do presidente Lula (PT), candidato à reeleição. A proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada para 40 horas semanais foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro. A votação no plenário do Senado ficou para depois da eleição.
O que diz a lei eleitoral
A Lei 9.504/97 proíbe propaganda eleitoral de qualquer natureza, inclusive faixas, em bens de uso comum, categoria que inclui lojas e centros comerciais, mesmo sendo propriedade privada. Quem é notificado e não retira o material em 48 horas pode pagar multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Neste domingo (4), dia da votação, divulgar propaganda de partidos e candidatos é crime eleitoral.
Fonte: ND+.
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