O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou nas redes sociais uma colinha eleitoral para Santa Catarina em que Carlos Bolsonaro (PL) não aparece. Na imagem, postada com a legenda “Sua colinha em SC”, Carol De Toni (PL) é indicada para a primeira vaga ao Senado e o espaço do segundo voto para senador fica em branco.
Carlos e Carol são os dois candidatos do PL às duas vagas de Santa Catarina no Senado, ambos indicados por Jair Bolsonaro. A colinha de Nikolas traz ainda Ana Campagnolo (PL) para deputada estadual, Bia Borba (Novo) para deputada federal, Jorginho Mello (PL) para governador e Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Carlos, para presidente. O perfil de Ana Campagnolo aparece entre os que curtiram a publicação.
A publicação não cita Carlos nem pede que o eleitor deixe de votar nele. Mas o espaço em branco não é um detalhe solto: ele aparece depois de um ano de embate público entre Carlos Bolsonaro e Ana Campagnolo, deputada estadual mais votada da história de Santa Catarina e principal aliada de Nikolas no estado.

Um ano de embate
O confronto começou em outubro de 2025, quando Campagnolo afirmou que a chegada de Carlos ao estado empurrava Carol De Toni para fora do PL. Carlos chamou as declarações de “mentira” e “baixaria”, e Eduardo Bolsonaro classificou a postura da deputada como “inaceitável”. Desde então, ela se tornou a principal voz dentro do partido contra a candidatura do ex-vereador do Rio de Janeiro, a quem passou a chamar de “candidato que veio de fora”.
Em abril, Carlos publicou um longo texto no X em que acusava um “grupelho” de arquitetar “um projeto de poder” no estado. Sem citar nomes, o texto foi lido como ataque direto a Campagnolo e a Nikolas Ferreira. Na mesma semana, a deputada disse que Carlos errou ao “chegar no nosso estado exigindo voto, exigindo apoio”. Dias depois, os dois apertaram as mãos em um evento do PL em Governador Celso Ramos, no primeiro gesto público de aproximação.
A trégua não durou. Em agosto, depois da convenção que oficializou a chapa, Campagnolo não cravou apoio a Carlos em entrevista. Dias depois, em Itajaí, ela saiu do enquadramento da câmera quando o nome de Carlos foi citado em um vídeo de pedido de voto. Três dias depois, Flávio Bolsonaro foi aos comentários de uma publicação da deputada e cobrou um vídeo de apoio ao irmão, sob pena de pedir que ela não usasse mais a imagem dele nem a de Jair Bolsonaro. Campagnolo respondeu que seguia trabalhando pelos objetivos do partido, mas não gravou o compromisso pedido.
Onde entra Nikolas
A briga em Santa Catarina é um pedaço do racha que divide o bolsonarismo em nível nacional. De um lado estão os filhos de Jair Bolsonaro, que defendem que as decisões políticas sigam a orientação do ex-presidente. Do outro, o grupo liderado por Nikolas Ferreira, acusado pelos filhos de falta de lealdade e de buscar protagonismo próprio. Ana Campagnolo é apontada como a principal representante desse grupo no estado, e os dois dividiram palco em um evento conservador em Itajaí, em agosto de 2025.
Na colinha, Nikolas mantém o voto em Flávio Bolsonaro para presidente e em Carol De Toni para o Senado, mas não preenche a segunda vaga com Carlos nem com outro candidato. A publicação não permite concluir, por si só, que o deputado tenha declarado oposição a Carlos ou orientado seus seguidores a não votarem nele. O fato é que, na reta final da campanha, o deputado federal mais votado do país em 2022 publicou a sua indicação para Santa Catarina e deixou em branco o lugar que o PL reservou ao filho de Jair Bolsonaro.
© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/nikolas-ferreira-colinha-santa-catarina-carlos-bolsonaro-fora




















