O presidente Lula (PT) ainda não decidiu se vai participar do debate presidencial da TV Globo, marcado para quinta-feira (1º). A pressão para que ele compareça cresceu depois que o adversário direto, Flávio Bolsonaro (PL), confirmou presença e o chamou publicamente para o confronto. Lula deve ouvir aliados e integrantes da coordenação até quarta-feira (30), véspera do debate.
O desafio foi lançado neste domingo (27), durante um ato de campanha em Goiânia (GO). “Vamos no debate da Globo. Está confirmado aqui. Ele (Lula) que lute”, disse o senador. Em seguida, mandou o recado direto ao presidente: “Eu estou chamando o Lula para o debate: ‘Lula, eu quero você no debate da Globo, vem debater comigo porque eu vou esfregar verdade na sua cara e vou mostrar que o meu projeto de Brasil é melhor que o seu'”.
A confirmação representa uma virada na estratégia do candidato do PL. Até então, a campanha de Flávio vinha condicionando a participação do senador em debates à presença de Lula. Agora, ele diz que vai mesmo sem o petista e subiu o tom: “Eu vou para esse debate só para desmascarar esse mentiroso, esse assassino da esperança do Brasil”.
Do lado do Planalto, a campanha considera que o presidente deve enfrentar os adversários no encontro. O obstáculo é o próprio Lula. A aliados, ele classificou o formato como “contraproducente”, “muito engessado” e disse que os encontros “funcionam como uma armadilha”.
Dois fatores pesam na decisão. Segundo a coluna de Lauro Jardim, o empate técnico nas pesquisas é um dos fatores que pressionam Lula a comparecer. O outro é o tom adotado por Flávio Bolsonaro ao confirmar que estará no estúdio. Contra a ida, Lula teme se tornar o principal alvo dos demais concorrentes por ser o único nome da esquerda na disputa, e o comportamento do candidato do Missão, Renan Santos, também preocupa integrantes da campanha.
A emissora já deixou claro o que acontece em caso de ausência: o comando da campanha foi avisado de que o púlpito reservado ao presidente ficará vazio caso ele falte ao debate. A imagem é conhecida do petista. Em 2006, Lula deixou de ir ao debate da Globo e teve sua cadeira mantida no cenário. Geraldo Alckmin, então adversário, passou a chamá-lo de “fujão”. Naquele ano, Lula acreditava que venceria na primeira rodada de votação. Não conseguiu.
O rótulo, aliás, estava nos planos da própria campanha petista, mas com o alvo invertido. Caso o candidato do PL não comparecesse ao encontro da Globo, aliados de Lula avaliavam que o petista poderia explorá-lo como “fujão” diante do eleitorado. Com a confirmação de Flávio, quem corre o risco de ficar com a cadeira vazia agora é o presidente.
O debate da Globo, marcado para três dias antes do primeiro turno, começa às 21h20, depois do Jornal Nacional. Pela legislação eleitoral, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) têm participação assegurada. Se Lula for, o programa será o primeiro e único debate direto entre os candidatos no primeiro turno.
Até aqui, os dois favoritos faltaram a todos os debates. No primeiro, promovido pela Band em agosto, Lula e Flávio não compareceram e acabaram sendo alvo de críticas dos demais candidatos. As ausências dos dois também levaram a Record a cancelar o debate marcado para este domingo (27).
A disputa segue apertada. A última pesquisa Datafolha mostrou Lula com 39%, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, com 36%. Na Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula apareceu com 37% no primeiro turno, contra 33% de Flávio. No cenário de segundo turno, Flávio registrou 42% e Lula, 41%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A definição sobre a ida de Lula deve sair até quarta-feira (30). O primeiro turno das eleições acontece no domingo, 4 de outubro.























