O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas para mandar um recado aos Estados Unidos. Durante discurso nesta terça-feira (22), em Nova York, Lula criticou interferências externas na América Latina e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
A declaração ocorreu quando o presidente brasileiro falava sobre soberania e sobre o que classificou como retomada de “tentações hegemônicas” na região. Lula não citou Donald Trump nominalmente nesse trecho, mas fez referência direta à proximidade dos países latino-americanos com “a maior potência militar do mundo”.
“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
Lula também afirmou que países latino-americanos voltaram a enfrentar ingerência externa em processos eleitorais e defendeu que cada nação tenha autonomia para decidir o próprio caminho. Segundo ele, o Brasil não aceitará interferências internas ou externas contra a vontade dos eleitores.
O discurso avançou ainda para a área de segurança pública. Lula rejeitou a ideia de entregar a forças estrangeiras a responsabilidade pelo combate ao crime organizado no Brasil e defendeu cooperação internacional para impedir o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado.”
Segundo Lula, uma proposta de cooperação nessa área já foi entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. A fala ocorreu em um momento de nova tensão entre Brasília e Washington e de discussões sobre a influência norte-americana na América Latina.
Donald Trump discursou na Assembleia Geral logo depois do presidente brasileiro. Diferentemente do encontro ocorrido nos corredores da ONU no ano anterior, desta vez os dois não tiveram contato durante a passagem pela Assembleia, segundo relatos publicados após os discursos.
Além das relações internacionais, Lula tratou de democracia, guerras, segurança pública, mudanças climáticas, inteligência artificial, desinformação e reforma das instituições multilaterais. O fio central da parte dedicada à América Latina, porém, foi direto: o governo brasileiro rejeita interferência estrangeira e defende que decisões políticas da região sejam tomadas pelos próprios países.























