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Eleições 2026

“Santa Catarina não quer a esquerda”: deputado do MDB detona ex-governador que foi ao comício de Lula em SC

Rafael Pezenti diz que Paulo Afonso "não teve mais coragem de encarar a urna" após o ex-governador subir no palanque de Lula em Florianópolis. Paulo Afonso afirma que se afastou da campanha porque o MDB não tem candidato próprio ao governo

“Santa Catarina não quer a esquerda”: deputado do MDB detona ex-governador que foi ao comício de Lula em SC
Foto: Reprodução
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O deputado federal Rafael Pezenti (MDB), de 39 anos, natural de Petrolândia e morador de Ituporanga, publicou um vídeo nas redes sociais criticando o ex-governador Paulo Afonso Vieira, do mesmo partido, pela participação no comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último sábado (19), na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa, no Centro de Florianópolis. Candidato à reeleição com o número 1510, Pezenti disse que a aproximação do ex-governador com o PT arrasta a imagem do MDB junto e cravou: “Santa Catarina não quer a esquerda”.

Paulo Afonso foi ao ato de jaqueta vermelha e boné com a inscrição “Lula 2026”. No fim do evento, subiu ao palco para as fotos ao lado do presidente e do candidato do PSB ao governo do estado, Gelson Merisio, apoiado por Lula na disputa contra o governador Jorginho Mello (PL).

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Logo no começo do vídeo, o deputado admite que a gravação pode custar caro. “Esse é um vídeo, aliás, que provavelmente vai me fazer perder voto nessa eleição. Só que está em jogo algo muito mais importante do que a minha candidatura”, afirmou. Segundo ele, o celular chegou a esquentar com a quantidade de mensagens de eleitores mandando fotos e vídeos do ex-governador no comício.

Vídeo publicado pelo deputado Rafael Pezenti nas redes sociais

O ataque mais duro foi à trajetória eleitoral de Paulo Afonso. “Já faz 24 anos que o Paulo Afonso não disputa uma eleição. Não teve mais coragem de encarar a urna. Mas toda vez que ele aparece, aparece junto a imagem do MDB, porque não dá para desassociar. O cara foi governador pelo nosso partido”, disse. Para Pezenti, o apoio do ex-governador ao PT “só contribui para o enfraquecimento do nosso partido”.

O deputado afirma que quem paga a conta é a nova geração do MDB, que acaba “pagando por pecados que não cometeram”. Ele conta que, ao entregar o santinho a um eleitor que não o conhece e não tem vínculo partidário, a primeira reação é torcer o nariz quando vê que o número começa com 15. “As pessoas colocam todos os MDBistas no mesmo balaio”, disse.

Apesar das críticas, Pezenti reconheceu que prefeitos da época descrevem Paulo Afonso como um governante municipalista, que ajudou o interior do estado, e disse que é preciso respeitar a divergência. “Uma democracia se faz com opiniões que divergem”, afirmou, antes de reforçar que discorda “totalmente” do posicionamento do ex-governador.

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O deputado também revelou que, na janela partidária de março, recebeu convite de pelo menos seis partidos para deixar o MDB. “Eu poderia mudar de partido ou eu poderia mudar o partido. Eu resolvi permanecer”, disse. Segundo ele, há fundadores da sigla, filiados recentes, prefeitos, vices, vereadores e suplentes esperando uma postura mais firme, e a mudança deve começar a partir de outubro. Ele encerra o vídeo se apresentando como “um político de direita”.

Paulo Afonso deu a sua versão à coluna de Sol Urrutia, no portal Upiara. Ele disse que está fora da campanha do MDB porque o partido não lançou candidato próprio ao governo e entrou na coligação de João Rodrigues (PSD), com o presidente estadual emedebista, Carlos Chiodini, de vice e Esperidião Amin (PP), adversário histórico do MDB, na disputa pelo Senado. “Mais uma vez, o 15 não está na urna”, lamentou. Segundo ele, o comício de Lula é o único ato político de que pretende participar nesta campanha.

Natural de Teresina, no Piauí, Paulo Afonso é um dos fundadores do antigo PMDB em Florianópolis. Foi deputado estadual, secretário da Fazenda, governador de 1995 a 1999 e deputado federal entre 2003 e 2006. O governo dele foi marcado pelo escândalo das Letras do Tesouro, emitidas para pagar precatórios, que levou a um processo de impeachment na Alesc do qual ele escapou por margem apertada. O ex-governador afirma ter sido absolvido em todas as instâncias no processo criminal. Em 1998, tentou a reeleição e perdeu para Esperidião Amin ainda no primeiro turno, com 23% dos votos válidos.

A conta dos 24 anos feita por Pezenti fecha: a última eleição disputada por Paulo Afonso foi a de 2002. Em 2018, porém, ele se licenciou do cargo de fiscal da Fazenda estadual e brigou pela indicação do MDB ao Senado, mas o partido entregou as duas vagas da chapa a aliados: Jorginho Mello, então no PR e hoje governador pelo PL, e Paulo Bauer (PSDB). Dentro do MDB, o ex-governador sempre esteve na ala mais próxima da esquerda: teve apoio do PT no segundo turno de 1994, foi diretor da Eletrosul no segundo governo Lula e também esteve em comício do petista na eleição de 2022.

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O comício de sábado foi marcado por outras falas polêmicas. No palanque, Lula disse que o agronegócio catarinense deveria “se ajoelhar” para ele e que a rejeição ao PT no estado pode ser “uma questão de pele”, por ele ser nordestino ou pobre. Em nível nacional, o MDB decidiu em julho não apoiar nenhum candidato à Presidência e liberou os diretórios estaduais. Em Santa Catarina, o partido integra a chapa de João Rodrigues, formada por PSD, MDB, PP e União Brasil.

Até a publicação desta reportagem, o Jornal Razão não localizou manifestação pública de Paulo Afonso sobre o vídeo do deputado. O espaço segue aberto para o ex-governador.

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