O PP, que apoiou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, anunciou nesta terça-feira (27) apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na presidência do Senado. O anúncio foi feito pela Federação União Progressista, que o PP forma com o União Brasil, partido do próprio Alcolumbre, e que também esteve com Flávio na eleição. A nota é assinada pelos presidentes nacionais dos dois partidos: Antonio Rueda, do União Brasil, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.
O anúncio saiu dois dias depois da vitória de Lula (PT) sobre Flávio. Alcolumbre apoiou a reeleição do petista desde o primeiro turno, contra a orientação do próprio partido, e na segunda-feira (26) visitou Lula no Palácio da Alvorada ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
No vídeo, Alcolumbre aparece dançando forró em cima do palco na filiação do governador do Amapá, Clécio Luís, ao União Brasil, em Macapá, em 30 de janeiro. As imagens voltaram a circular nas redes em junho, quando o presidente do Senado era cobrado por segurar a votação da PEC do fim da escala 6×1.
Na nota, os dois partidos dizem que a continuidade de Alcolumbre no cargo contribui “para a estabilidade institucional e o equilíbrio político de que o Brasil precisa para seguir avançando nas pautas de interesse da população”. O texto também elogia a capacidade do senador de “promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes”.
A eleição para o comando do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027, dia da posse dos senadores eleitos em outubro. Para vencer, o candidato precisa de pelo menos 41 dos 81 votos. Segundo a CNN Brasil, Alcolumbre contabiliza 48 votos. A oposição contesta a conta e diz que hoje ele teria 38, três a menos que o necessário.

O PL terá a maior bancada da Casa a partir de fevereiro, com 29 senadores, e estuda lançar candidato próprio. Segundo o colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP na Casa, Tereza Cristina (MS), iam se reunir nesta terça-feira para decidir qual dos dois enfrentaria Alcolumbre numa candidatura única. Tereza, que chegou a ser cotada para vice de Flávio, calcula que pode chegar a 42 votos se tiver o apoio do PL. Para o portal Metrópoles, a nota da federação afasta os planos da senadora, que é do próprio PP.
Ainda segundo a coluna de Caio Junqueira na CNN Brasil, Marinho e Tereza avaliam que a ida de Flávio para os Estados Unidos, sob a alegação de perseguição política, fortalece a bandeira do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre é contra pautar o pedido.
Senadores ouvidos pela CNN Brasil relatam que Ciro Nogueira sinalizou apoio a Alcolumbre sem consultar a bancada do PP. Os mesmos parlamentares dizem que o gesto teria sido feito em troca de um aceno do União Brasil à reeleição de Hugo Motta, afilhado político de Ciro, na presidência da Câmara. Ainda segundo a CNN Brasil, o presidente do PP era aliado de primeira hora de Flávio antes de vir à tona a relação dele com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e tenta se reaproximar do Planalto por meio de Alcolumbre em meio ao avanço das investigações do caso.
Dentro do próprio PP há resistência. O senador eleito por São Paulo Guilherme Derrite, do partido, já disse que não vota em Alcolumbre e citou Marinho e Tereza Cristina como nomes da direita para comandar a Casa.
Além da federação, Alcolumbre teve sinalização positiva de MDB, Republicanos e Podemos, e o PT deve declarar apoio a ele nos próximos dias, segundo a CNN Brasil. O presidente do Senado foi eleito para o cargo em fevereiro de 2025, com 73 votos, e já tinha comandado a Casa entre 2019 e 2021. Como a nova legislatura começa em 2027, a Constituição permite que ele dispute de novo. Marinho já tentou o cargo em 2023 e perdeu para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32.
Fontes: CNN Brasil, coluna de Caio Junqueira, na CNN Brasil e portal Metrópoles.
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