O presidente da Câmara de Vereadores de Itajaí, Fernando Pegorini (PL), que está no comando da prefeitura até domingo (4), declarou voto na deputada federal Carol de Toni (PL) e no senador Esperidião Amin (PP) para as duas vagas de Santa Catarina no Senado. A escolha deixa de fora Carlos Bolsonaro, o outro candidato do partido dele, a quatro dias da eleição.
Pegorini assumiu a prefeitura em 23 de setembro, durante a licença sem remuneração do prefeito Robison Coelho, que vai até as 23h59 do dia 4 de outubro. O vice-prefeito Rubens Angioletti (PL) também está licenciado, porque disputa uma vaga de deputado federal. Segundo a colunista Maga Stopassoli, do portal Upiara, em coluna publicada nesta quarta-feira (30), o prefeito em exercício tem repetido publicamente, na reta final da campanha, que seus candidatos ao Senado são Carol e Amin, e publicou nas redes fotos e vídeos com o adesivo de campanha do senador.
Voto na chapa rival
A declaração pesa porque o PL lançou chapa pura ao Senado, com Carlos Bolsonaro (222) e Carol de Toni (221). Amin (111) disputa a reeleição pelo PP na coligação “Santa Catarina Acima de Tudo”, do candidato a governador João Rodrigues (PSD), que enfrenta o governador Jorginho Mello (PL) na tentativa de reeleição. Na prática, o prefeito em exercício de uma das maiores cidades do estado pede voto para o senador da coligação adversária do próprio partido.

A ligação com Amin é antiga. De acordo com o Blog do Prisco, o senador é padrinho político de Pegorini desde que ele presidiu a juventude estadual do PP. O blog relata que o prefeito em exercício trata a declaração como escolha pessoal e reforça o apoio a Carol de Toni, sem apresentar o gesto como rompimento com o PL.
O fator Campagnolo
Pegorini também coordena a campanha de reeleição da deputada estadual Ana Campagnolo (PL), a voz mais dura do partido em Santa Catarina contra a candidatura de Carlos. O atrito começou no fim de 2025, quando Jair Bolsonaro indicou o filho, então vereador no Rio de Janeiro, para disputar o Senado pelo estado. Em novembro, Campagnolo questionou publicamente a legitimidade da vinda de Carlos e passou a ser atacada nas redes por apoiadores do ex-vereador.
A briga passou por Itajaí. No início de agosto, durante a gravação de material do PL na cidade, Campagnolo fez um gesto com a mão e saiu do enquadramento da câmera quando Angioletti citou o nome de Carlos no pedido de voto, episódio revelado pelo Jornal Razão. Dias depois, o senador Flávio Bolsonaro cobrou dela, nos comentários do Instagram, um vídeo de apoio ao irmão, e disse que, se ela não gravasse, pediria que não usasse mais a imagem dele nem a do pai. A deputada não gravou. Na primeira entrevista depois da convenção do PL, em 1º de agosto, ela já tinha dito que Jair Bolsonaro “escolheu o filho errado”.
Grupo de WhatsApp discute ruptura
Ainda segundo a coluna de Maga Stopassoli no Upiara, que cita um assessor de deputado estadual do PL, o movimento de Pegorini abriu uma discussão acalorada em um grupo de WhatsApp chamado “Resistência Catarinense”, que reuniria mais de 200 detentores de mandato filiados a partidos que apoiam a reeleição de Jorginho. Pelo relato, o grupo discutia um ato público de ruptura com Carlos Bolsonaro nesta reta final, com possível migração de apoio para Amin. O argumento seria o de que a candidatura “made in Rio” é vista por esses eleitores como desrespeito aos catarinenses.
A mesma coluna afirma que circula nos bastidores, desde terça-feira (29), a informação de que Carlos teria procurado prefeitos e deputados do PL para pedir vídeos de apoio à candidatura dele sem citar Carol de Toni, sua companheira de chapa. Na manhã desta quarta-feira (30), Carlos publicou nas redes um vídeo gravado pelo irmão, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, que reforça o pedido de voto para ele e não menciona Carol, segundo Maga Stopassoli.
Amin na mira
Aliado histórico de Jair Bolsonaro, Amin também virou alvo do entorno de Carlos. Apoiadores do candidato do PL passaram a resgatar santinhos de 2006, quando Amin recebeu apoio do PT no segundo turno da disputa pelo governo do estado, que ele perdeu para Luiz Henrique da Silveira, para chamá-lo de “petista de carteirinha”. Em discurso em Palhoça, o próprio Carlos disse que Amin “já votou 58% com o PT”, índice que corresponde ao governismo do senador no Radar do Congresso. Amin respondeu chamando Carlos de “estrupício” e o desafiou a ir aos debates.
A disputa está embolada. Na pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro, Carol de Toni tem 17%, Carlos Bolsonaro 16% e Amin 15%, empatados dentro da margem de erro de três pontos. Décio Lima (PT) aparece com 10%. Foram 804 entrevistas, feitas entre 20 e 23 de setembro. Na Paraná Pesquisas divulgada um dia antes, Carol lidera com 42,3%, seguida por Carlos, com 36%, e Amin, com 34,2%.
Santa Catarina elege dois senadores no domingo (4). No mesmo dia, às 23h59, termina a licença de Robison Coelho e, com ela, o período de Pegorini à frente da Prefeitura de Itajaí.
Fontes: coluna de Maga Stopassoli, no portal Upiara e Blog do Prisco.





















