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Coordenador de projeto de atletas PCD é preso em Brusque; defesa diz que dinheiro era dividido entre alunos

Polícia Civil flagrou o coordenador da Apvaeb recebendo R$ 1.250 de um atleta com deficiência intelectual na frente da Arena Multiuso; segundo a investigação, os repasses passam de R$ 20 mil desde 2025. Pessoas ligadas à entidade afirmam que o dinheiro era rateado entre os alunos.

Coordenador de projeto de atletas PCD é preso em Brusque; defesa diz que dinheiro era dividido entre alunos
Foto: Reprodução
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A Polícia Civil prendeu em flagrante na tarde desta quarta-feira (9) o coordenador da Associação de Pais e Voluntários dos Atletas Especiais de Brusque (Apvaeb), Maicon Cesari, de 39 anos, natural de Brusque, suspeito de recolher para si o valor integral da bolsa-atleta paga pela Prefeitura a esportistas com deficiência intelectual. Ele foi abordado nas proximidades da Arena Multiuso, no Centro 2, com R$ 1.250 em espécie dentro do carro da própria instituição.

A prisão encerrou uma operação da Delegacia de Investigação Criminal (DIC) montada para presenciar a entrega do dinheiro. Um atleta vinculado à associação aguardava em frente à arena. O coordenador chegou no veículo plotado com a identificação da entidade, o atleta se aproximou, entregou peças de vestuário e, na sequência, a quantia em dinheiro. Foi nesse momento que a equipe fez a abordagem e localizou as notas no console do carro.

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O valor apreendido corresponde à parcela mensal integral da bolsa recebida pelo atleta. Segundo a Polícia Civil, o repasse não era pontual: os pagamentos ao coordenador aconteciam todo mês e vinham ocorrendo desde ao menos 2025.

Capa do vídeo do YouTube

A investigação começou com uma denúncia anônima recebida no fim de agosto, conforme a Polícia Civil. O relato apontava que pelo menos um dos alunos beneficiados pelo programa municipal teria sido induzido a entregar o benefício de forma contínua à coordenação da associação, enquanto outros atletas atendidos pela entidade não recebem a bolsa.

Somados, os repasses já ultrapassariam R$ 20 mil. Segundo a polícia, em 2025 a bolsa recebida pelo atleta era de R$ 1.400 e neste ano passou para R$ 1.250. A estimativa considera apenas o período já mapeado pelos investigadores.

O método era sempre o mesmo, de acordo com a Polícia Civil: o coordenador pedia que o dinheiro fosse sacado em espécie e entregue em mãos, sem transferência bancária que deixasse rastro. Aos atletas, ele afirmava que o repasse era obrigatório e que os valores cobririam despesas de deslocamento e alimentação em competições esportivas.

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A investigação verificou que essas despesas já estão cobertas. A bolsa-atleta municipal, paga pela Prefeitura por meio da Fundação Municipal de Esportes dentro do programa Arthur Schlösser, existe justamente para custear alimentação, transporte e equipamentos. Neste ano, Brusque tem 241 contemplados e investimento anual de R$ 4,04 milhões no programa. Além disso, conforme a Polícia Civil, o Município também disponibiliza transporte para levar os atletas às competições.

Interrogado, o investigado alegou que o dinheiro seria destinado à instituição e dividido entre os demais alunos do projeto, segundo a Polícia Civil. A destinação real dos valores é um dos pontos que a delegacia vai apurar, ao lado da possibilidade de outras vítimas e da extensão do período em que os repasses aconteceram.

A Polícia Civil pediu que qualquer pessoa submetida a situação semelhante procure a delegacia para registrar o caso e colaborar com a investigação.

A Apvaeb nasceu em 2005, criada por um casal que tinha um filho com síndrome de Down e viu no esporte um caminho de desenvolvimento e convivência. Com o tempo, passou a atender também pessoas com Transtorno do Espectro Autista e deficiência intelectual, e hoje reúne cerca de meia centena de atletas em modalidades como natação, basquete e tênis de mesa. Em maio de 2025, ao completar 20 anos, a entidade recebeu a Comenda de Mérito Institucional da Câmara de Vereadores de Brusque. No Parajasc do ano passado, em Lages, a delegação brusquense levou 25 paratletas, conquistou o ouro invicto no basquete de deficiência intelectual, somou dez medalhas na natação e uma prata no tênis de mesa.

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Em entrevista concedida antes da prisão, o próprio coordenador descrevia o trabalho na associação, onde estava há quatro anos, como uma missão pessoal.

É, de fato, uma experiência engrandecedora, enriquecedora como ser humano. Aqui tu entende como a gente pode, com o nosso trabalho, fazer diferença na vida de uma pessoa

Após a prisão, pessoas ligadas à Apvaeb procuraram a reportagem para apresentar outra leitura do caso. Segundo esses relatos, ainda sem confirmação oficial, o recolhimento dos valores seria parte de um acordo feito com pais e responsáveis, criado porque a bolsa-atleta não teria alcançado todos os mais de 40 alunos atendidos pela entidade. Nessa versão, as famílias teriam decidido que os contemplados centralizariam o dinheiro para dividir entre todos, e o coordenador apenas operacionalizaria o rateio. A entidade afirma que está reunindo declarações e assinaturas de responsáveis para levar às autoridades. A Polícia Civil não confirma esse acordo, e a apuração sobre o destino do dinheiro segue em andamento.

Preso em flagrante por estelionato, o coordenador foi levado à DIC de Brusque. A investigação continua.

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