Um cabo da Polícia Militar de Santa Catarina foi surpreendido por uma dupla em plena via de Florianópolis nesta quarta-feira (2), e a câmera de segurança registrou tudo. O policial estava fardado, de costas para o movimento, e não viu a aproximação chegando.
Os suspeitos entraram no enquadramento correndo, foram direto na direção do cabo Vitor Mendes Ghenol e o cercaram em frente à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O cabo não teve como reagir.
Nenhuma ocorrência foi registrada. Nenhum apoio foi acionado. Nenhum boletim foi aberto. O ataque flagrado pelo circuito interno de monitoramento foi de duas crianças pequenas, que correram até o policial no meio do expediente e o abraçaram.
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A palavra ataque, no caso, só existe entre aspas. O desfecho contraria exatamente aquilo que um vídeo de câmera de segurança costuma antecipar: quem começa a assistir esperando flagrante encontra outra coisa no meio do caminho.
Vitor Mendes Ghenol é cabo da Polícia Militar de Santa Catarina. No momento do registro, estava fardado, com colete refletivo, na área externa da Assembleia Legislativa, em Florianópolis, num trecho sinalizado com cones de trânsito. A cena não tem grito, não tem corrida e não tem confronto: tem um policial interrompido no meio do turno por dois moradores de menos de um metro de altura.
O lado do serviço que raramente vira vídeo
Boa parte do que circula sobre polícia em Santa Catarina nasce de ocorrência. Perseguição, abordagem, apreensão, prisão. O registro que sobrou dessa quarta-feira em Florianópolis é o contrário disso: o cotidiano miúdo de quem passa o dia inteiro na rua e, de vez em quando, é parado por quem só quer chegar perto.
Câmera de segurança em Santa Catarina quase sempre guarda perseguição, abordagem e prisão. Dessa vez guardou o outro lado do serviço, aquele que raramente vira imagem: o lado mais humano dos homens de farda.
A aproximação com o público infantil faz parte do trabalho de rua da corporação, ainda que quase nunca sobre imagem. A PMSC mantém programas voltados diretamente a crianças, como o PROERD, aplicado em escolas de todo o estado desde a década de 1990, além do contato diário nas praças, nas escolas e nos bairros por onde o policiamento circula.
As duas crianças que aparecem no vídeo não são identificadas. Por serem menores de idade, o Jornal Razão preserva a identidade da dupla.
O registro tem data marcada no próprio circuito de monitoramento: 2 de setembro de 2026, na área externa da Assembleia Legislativa, em Florianópolis. Do resto do serviço daquele dia, ninguém vai lembrar. Desses segundos, sim.















