A mãe do bebê de um ano e seis meses que saiu sozinho de uma creche em Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, e foi parar na porta do trabalho dela contou como viveu a manhã da última sexta-feira (25). “Foi a mão de Deus que guiou ele até mim”, disse em entrevista ao EA Notícias.
Segundo ela, a rotina foi a de sempre: por volta das 7h20, o menino foi deixado na creche, que fica a cerca de 50 metros do escritório onde ela trabalha. Perto das 8h50, a recepcionista apareceu com ele no colo. “Eu levei um choque”, contou. Na mesma semana, o filho já tinha sido mordido no nariz por outra criança, e ela achou que algo parecido tivesse acontecido.
Quando soube que ele tinha chegado sozinho, entrou em pânico. Chegou a pensar que o marido ou alguém estivesse fazendo uma brincadeira. Na porta, encontrou apenas a pazinha de brinquedo que o menino segurava. “Ele saiu do parque e ninguém viu. Tinha duas professoras, uma diretora no parque também e o guarda”, afirmou.

Câmeras mostram o caminho até a porta
As imagens das câmeras de segurança mostram o bebê subindo a rua, que é movimentada, e batendo no vidro da porta do escritório. De acordo com a mãe, ele parou umas três vezes no trajeto, “por segundos, ele pensava: pra onde que eu vou?”, até dar a volta e chegar à entrada.
Ela diz que nunca contou ao filho onde trabalhava, justamente para ele não associar o lugar e não chorar. Parte da família mora um pouco abaixo da creche, caminho que o menino já tinha feito a pé com ela. “Seria muito mais fácil uma criança de um ano e seis meses descer do que subir o morro”, disse.
Com o filho no colo, a mãe correu até a creche e começou a gritar com a professora, perguntando pelo menino. Só então a equipe percebeu que ele não estava mais no parque. “O desespero tomou conta e eu só sabia olhar pro meu filho e agradecer e chorar.”
Boletim de ocorrência e cobrança por explicações
Na creche, segundo a mãe, ouviu justificativas: o guarda teria saído para fazer outra tarefa e a professora estaria atendendo outra criança. “Foram inúmeras desculpas, mas nenhuma anula o fato”, disse.
Ela procurou a Secretaria de Educação logo depois do ocorrido. De acordo com o relato, a equipe foi até a creche no mesmo dia, fez uma reunião e advertiu os responsáveis que estavam com o menino. “Isso não é suficiente pro que aconteceu com meu filho”, afirmou. A mãe registrou boletim de ocorrência e diz que quer mais explicações. “Eu poderia tá em luto hoje.”
A Prefeitura de Braço do Norte enviou nota ao EA Notícias sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação.















